O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 14/09/2020
Segundo o geógrafo Milton Santos, a utilização da internet proporcionou a criação do ciberespaço, um espaço geográfico no qual ocorrem trocas de informações e de mercadorias entre várias regiões do planeta. Nesse sentido, observa-se que o comércio virtual é um reflexo desse contexto, tendo crescido rapidamente nos últimos anos por causa das vantagens competitivas que oferece às empresas. No entanto, verifica-se que o “e-commerce” não é implementado plenamente por negócios de pequeno porte devido à dificuldade destes em inserirem-se e manterem-se competitivos no mercado eletrônico.
Primeiramente, nota-se que o comercio virtual cresceu graças aos fortes atributos competitivos que ele confere aos negócios que o implementam. Sobre esse aspecto, retomando o conceito de ciberespaço, averigua-se que a presença de uma loja em um espaço virtual - onde é possível realizar trocas com clientes de vários lugares - tem caráter extremamente vantajoso. Essa situação não só permite o aumento dos lucros, como também - de acordo com Ícaro de Carvalho, especialista em marketing digital - permite um acompanhamento ágil e detalhado da eficácia da política de vendas do empreendedor. Desse modo, justifica-se o elevado faturamento dos “e-commercers” em 2019, o qual foi contabilizado como de 75,1 bilhões, segundo a empresa de análises de mercado Compre&Confie.
Apesar desses pontos positivos, é necessário destacar que nem todos os negócios - principalmente os de microempreendedores - conseguem integrar-se e manterem-se competitivos no mercado digital. Acerca dessa realidade, o economista Luiz Cláudio Almeida destaca que a dificuldade da inserção competitiva dos pequenos empresários advém da carência de conhecimento por parte deles sobre estratégias de marketing digital, além dos custos com equipes multidisciplinares. Nesse cenário, torna-se oneroso - para empresas menores - usufruir plenamente dos benefícios do comércio eletrônico, configurando um grave quadro de desigualdade de competitividade.
Dessa maneira, ações são necessárias para que o comércio eletrônico continue crescendo com uma menor diferença entre as grandes corporações e os pequenos empreendedores. Portanto, urge que a Confederação Nacional do Comércio atue reduzindo a desigualdade de informação existente no mercado digital por meio do oferecimento de cursos virtuais gratuitos que ensinem - usando aulas em vídeo com especialistas em economia e marketing digital - como os microempreendedores podem inserir seu trabalho na internet e criarem estratégias de divulgação para manterem e aumentarem suas vendas. Assim, será possível obter o efeito social relacionado a uma maior participação desses negociantes no mundo comercial eletrônico.