O crescimento do comércio virtual no Brasil

Enviada em 16/09/2020

O ano de 2020 é marcado pela pandemia de Corona Vírus. A população do mundo todo precisou se isolar em casa para minimizar os efeitos devastadores da doença, até o momento sem vacina ou tratamento reconhecido pela Organização Mundial da Saúde. Diante do cenário, o comércio eletrônico ganhou destaque mundial pela sua capacidade de conectar cliente e empresa mesmo em momentos de distanciamento social. No Brasil não é diferente, pequenas empresas precisaram se adaptar para manter a concorrência, enquanto as grandes empresas, como o Ifood, foram alvos de protesto pelas condições oferecidas aos trabalhadores.

Em primeiro plano, fica evidente a necessidade das empresas, principalmente as pequenas, fazerem adaptações para manterem a concorrência no sistema econômico capitalista. Desse modo, como mostram os dados da pesquisa Perfil do E-commerce Brasileiro, o mercado virtual teve uma expansão de 40%, apenas em 2020. Ainda segundo a pesquisa, os pequenos negócios passaram a representar quase metade das lojas ”on-line”. Infelizmente, a pandemia veio acompanhada da crise econômica e, em momentos de distanciamento social, as pessoas encontraram no próprio negócio virtual um caminho para superação das dificuldades.

Aliado a isso, a realidade trazida pela pandemia evidenciou problemas em empresas já atuantes no mercado digital. Exemplo disso, o aplicativo de entregas Ifood sofreu com protestos de seus colaboradores que alegaram não terem condições dignas de trabalho, como equipamentos de proteção obrigatórios por lei em empresas físicas. Como consequência da virtualização do comércio, as relações empregatícias também são afetadas. Os aplicativos que fazem conexão entre clientes e pessoas que realizam serviços ficam exímios de qualquer responsabilidade para com o prestador da atividade. Enquanto na “vida real” haveria o vínculo empregatício através da carteira de trabalho, na internet o trabalhador é tido como autônomo mesmo seguindo regras e oferecendo serviços através de uma companhia.

Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para que o processo de virtualização do comércio não traga prejuízos para os trabalhadores. Cabe, então, ao Ministério da Economia regularizar o trabalho intermediado por aplicativos, por meio de um projeto de lei enviado à Câmara de Deputados, garantindo os benefícios sociais e todos os demais diretos já previstos em lei obrigatórios em empresas físicas. Desse modo, o aumento do crescimento do comércio virtual no Brasil permitirá a superação da crise econômica sem prejudicar as relações de trabalho.