O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 17/09/2020
No início do século XV, os portugueses lidaram com muitas dificuldades para a consolidação de suas transações comerciais na Europa, em meio a guerras, revoltas camponesas e os preços abusivos impostos pelo monopólio italiano, eles se aventuraram em grandes incursões marítimas. Atualmente, bem diferente do que foi enfrentado pelos portugueses, o surgimento e evolução do comércio virtual permitiu que um consumidor não precise nem mesmo sair de casa para comprar seu produto, tendo liberdade e praticidade no consumo. Mas, conjuntamente com as facilidades, a falta de regulamentação do meio virtual o torna perigoso com o surgimento de fraudes e atitudes ilícitas, além de impulsionar uma sociedade cada vez mais consumista.
Inicialmente, segundo relatório da NeoTrust, empresa que realiza pesquisas acerca do varejo digital, ocorreu um aumento de 40,6 por cento no número de consumidores digitais no ano de 2019, o que indica que, cada vez mais, a sociedade brasileira está imersa nesse meio. Porém, o aumento da inserção social no mundo virtual não é acompanhado pelo aumento da fiscalização governamental, ou seja, progressivamente, estão surgindo sites fraudulentos que, utilizando de propagandas chamativas com preços absurdamente baratos, atraem consumidores desavisados e se aproveitam de informações cadastradas pelos usuários para aplicar golpes, como por exemplo roubar informações para usar os cartões de crédito das vítimas, e devido a falta de fiscalização, ficam impunes.
Além desse problema, a incorporação da sociedade no consumo virtual, acelera bastante o fenômeno do hiperconsumismo, dada a facilidade e comodidade proporcionada pelas compras online. Dessa maneira, segundo postulado pelo filósofo Sygmund Bauman, em uma sociedade consumista, há uma tendência a valorizar pessoas pelo seu potencial consumidor, em que o centro de toda a vida social permeia o consumo. Ou seja, as pessoas menos abastadas são julgadas pela sua falta de poder de compra, o que torna o preconceito, gradativamente, mais enquadrado no meio social brasileiro.
Destarte, cabe ao governo brasileiro, por meio de seus orgãos fiscalizadores, a regulamentação e fiscalização no contexto virtual, visto que a escassez fiscal permite o surgimento de fraudes que prejudicam o bom funcionamento das compras e vendas online. Além disso, para evitar o preconceito emergente pelo poder de compra, o Estado deve fazer campanhas educativas em escolas e nas redes sociais, conscientizando a população acerca das diferenças sociais, e promover ações afirmativas para a população carente.