O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 18/09/2020
Em 2019, a porcentagem de consumidores virtuais ativos no Brasil chegou a 20% da população, conforme dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Datafolha. Desse modo, a mudança de hábitos de consumo no país, refletida através do crescimento do comércio virtual é preocupante, já que o comércio local, o qual impulsiona a economia de muitas cidades, é desincentivado tanto pelas gestões públicas quanto pela comunidade consumidora de bens e serviços.
Em uma primeira análise, convém destacar que o número de comércios virtuais apresenta crescimento expressivo em relação ao comércio físico, principalmente devido à ausência de ações que prestigiem os estabelecimentos comerciais. Nesse sentido, em 2020, o Governo aumentou o valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para diversos produtos, segundo o Portal de Notícias da Rede Globo. Nesse cenário, os altos tributos, a exemplo do Imposto de Renda, precisam ser incorporados ao valor da mercadoria comercializada em lojas físicas, de tal forma que os preços não se tornam competitivos em relação aos comercializados virtualmente. Assim, como lojas virtuais possuem menos despesas, normalmente apresentam artigos com custos mais baixos e atraentes ao cliente, fato que reduz a demanda de produtos nos estabelecimentos.
Ademais, a aquisição de artefatos através do “e-commerce” desfavorece a economia local. Nesse panorama, o empreendedor Henry Ford defendia que a economia de uma região estava amplamente relacionada ao investimento financeiro adequado da população. Dessa forma, ao adquirir produtos pela internet, o consumidor deixa de inserir recursos em sua própria cidade e, com isso, desestimula o comerciante e as atividades econômicas de sua região.
Em suma, é inegável a relação entre o crescimento do comércio virtual no Brasil e a desmotivação da manutenção de empreendimentos em estabelecimentos físicos, sendo, portanto, fundamental para a economia local que atitudes sejam tomadas para resolver o impasse. Para tanto, urge que o Governo Federal, em parceria com as prefeituras das cidades do país, forneça benefícios relacionados à carga tributária aos comerciantes, por meio da redução de 30% do Imposto de Renda, a fim de incentivar a abertura e continuidade de comércios físicos. Essa ação contribuirá para a redução dos custos que os mercadores terão para manter seus negócios e, consequentemente, repercutirá na redução dos preços dos produtos, os quais ficarão mais competitivos com o mercado digital. Dessa maneira, espera-se que a população passe a investir seus recursos no comércio de seus municípios e contribua para o desenvolvimento econômico local.