O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 21/09/2020
Atualmente, o planeta vive a crise do covid-19, em que medidas governamentais, como as de isolamento social, foram implementadas para minimizar os riscos de contaminação. No Brasil, isso potencializou o chamado “marketplace” (shopping virtual), porquanto, dadas as condições em que o país vivencia, esse modelo corrobora as decisões do governo em evitar a aglomeração de pessoas em espaços físicos. Todavia, esse comércio virtual não está disponível à população carente de ferramentas tecnológicas e digitais. Além disso, a dinâmica dos preços das lojas físicas e virtuais são distintas, desfavorecendo os mais pobres. Tal problemática, com efeito, gera mais disparidades econômicas e sociais.
Os efeitos da pandemia do covid-19, por meio do isolamento social, permitiram que o mercado digital tivesse um aumento em suas vendas no Brasil. Segundo dados de um relatório da NeoTrust, o faturamento desse mercado, em 2019, foi de R$ 75,1 bilhões; porém, estudos da empresa de inteligência de mercado Compre&Confie estimam que, em 2020, o faturamento será de R$ 90,7 bilhões - um aumento de 21% em comparação ao ano anterior. Isso é resultado da migração de várias empresas para o mundo virtual, haja vista que as medidas de isolamento impediram que elas abrissem normalmente seus estabelecimentos. De fato, caso não adotassem tal postura, correriam o risco de aumentar os custos e diminuir os lucros, o que provocaria a iminência de falir seus negócios.
Entretanto, é preciso ressaltar que esse crescimento do comércio eletrônico não alcança todos os segmentos da população; na verdade, beneficia somente as classes médias e altas do país. Com a alta do varejo digital, as empresas desse ramo terão menos gastos quando comparadas com as do ramo físico, tradicional. Sendo assim, os produtos das primeiras serão mais baratos - favorecendo os que possuem boas condições financeiras -, enquanto que os das segundas cada vez mais ficarão caros. Nesse sentido, a classe baixa da sociedade brasileira, a qual não tem acesso a esse shopping virtual, irá sofrer, paulatinamente, com o varejo comum, porque o poder de compra desses indivíduos irá reduzir drasticamente - o que aumentará, dessa forma, a desigualdade econômica e social presente no Brasil.
Diante do exposto, evidenciam-se os problemas sociais e econômicos relacionados com a falta de acesso das camadas pobres da população às lojas online. Cabe, então, ao Ministério da Economia oferecer auxílio a essas pessoas por meio da compra e distribuição de aparelhos eletrônicos, como os celulares, com redes de banda larga, com o objetivo de dar oportunidade a elas de ter entrada nesse novo e promissor “e-commerce”. Assim, todos os brasileiros estarão inseridos nesse ilustre comércio, o que é um passo para promover a igualdade econômica e social no país.