O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 23/09/2020
A Terceira Revolução Industrial proporcionou, no final do século XX, a transição da era industrial para a era digital, uma conjuntura que fomentou inúmeros impactos sociais, como se observa na formação de um comércio virtual. À luz disso, ao analisar o crescimento desse tipo de comércio no Brasil, percebe-se que tal conjuntura engloba problemáticas, posto que esse aumento não se apresenta de forma igualitário na sociedade. Isso é fruto da falta de inclusão digital, mas também do sentimento individualista que permeia o tecido social.
Em primeiro lugar, conforme o escritor Lima Barreto, o Brasil apresenta dois mundos, o dos privilegiados e o dos deserdados. Sob tal prisma, a falta de inclusão digital que atinge 51% da população -segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- inviabiliza o comércio digital ser pleno no tecido social. Nesse sentido, compreende-se que o crescimento desse tipo de comércio não está relacionado com a ampliação desse serviço nas diversas classes sociais, mas sim com o quadro segregacionista que beneficia os abastados. Dessa forma, percebe-se que apesar de a Constituição Cidadão declarar a igualdade do ser humano, nota-se uma realidade que não dialoga com tal afirmação, pelo contrário, reafirma o que expôs L. Barreto.
Ademais, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, “a sociedade atual transferiu a ideia de progresso como melhoria compartilhada para a sobrevivência do eu”. Seguindo essa linha de pensamento, verifica-se que o sentimento individualismo que tece o comportamento do homem hodierno faz com que esse indivíduo ignore os problemas sociais, dado que a sua satisfação está centrada em si mesmo. Isso é exemplificado, intuitivamente por aqueles que dispõem do mercado virtual, uma vez que nota-se a sua indiferença com a realidade da falta de inserção digital. Consoante a isso, um corpo social que ecoa narcisismo possibilita que uma parcela da população não usufrua dos avanços tecnológicos oriundos da Terceira Revolução Industrial.
Logo, é mister que o Estado intervenha nesse quadro. Para tanto, cabe a esse traçar políticas que permitem o crescimento do comércio virtual de forma igualitária na nação. Nesse viés, o governo criará um programa nacional pautado na inclusão digital, em que, por meio de repasse de verbas públicas, disponibilizará para as comunidades mais carentes o acesso à internet de baixo custo, para que fomente um ambiente mais justo. Ademais, a escola, mediante palestras realizadas por sociólogos, discutirá os prejuízos do individualismo para a construção de uma civilização que goza do bem-estar, com o propósito de estimular o altruísmo nas relações interpessoais do ser humano. Assim, permitir-se-á que toda a população usufrua dos benefícios oriundos da atual Revolução Industrial.