O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 18/10/2020
Segundo o filósofo René Descartes, o pensamento se caracteriza como pressuposto da existência, como expresso pela máxima “Penso, logo existo’’. Entretanto, na contemporaneidade, com o desenvolvimento do capitalismo e do marketing, o consumo é considerado, via de regra, base para a vida em sociedade, de modo que pode-se transformar a frase do iluminista em ‘‘Compro, logo existo’’. Com o advento das redes, o comércio virtual ganhou clientes adeptos e democratizou, de certa forma, o mercado de vendas, marcado anteriormente pelos altos custos de manutenção. Apesar de altamente benéfico à economia, o mercado virtual ainda é pouco estimulado pelo Estado, que é omisso em promover o desenvolvimento de tal modalidade, o que deve ser solucionado.
A priori, verifica-se que a gestão governamental é omissa na promoção do comércio virtual, que pode gerar renda e fortalecer a economia nacional. A doutrina neoliberal, que se projetou a partir da década de 1980 e ainda se manifesta na atualidade no Brasil, é marcada pela não intervenção estatal na economia, que seria gerida pela ‘‘mão invisível’’ do mercado. Todavia, a mesma dinâmica monetária impede a inserção comercial de empreendedores de baixa renda, que, sem um auxílio por meio de empréstimos ou estímulos de baixos impostos, acabam por perder mercado para grandes corporações. Desse modo, faz-se necessário o investimento governamental nos pequenos comércios virtuais.
Por consequência, a falta de investimento estatal no empreendedorismo virtual tende a perpetuar a concentração de renda existente no país. De acordo com o IBGE, o um por cento da população mais rica atingiu, em 2018, 33,8 vezes mais patrimônio que a metade mais pobre. Assim, evidencia-se a necessidade de combater tal aglomeração capital, prejudicial à economia, já que boa parte desse capital é especulativo e não circulante. O comércio on-line pode, portanto, ser uma plataforma de redução de desigualdades, já que é relativamente menos custoso que as modalidades tradicionais e possui grande capacidade de promoção de renda às populações mais carentes.
Para solucionar a problemática exposta, urge que o Ministério da Economia, em parceria com bancos públicos e privados, promovam o empreendedorismo virtual em comunidades carentes, a fim de promover a ascensão econômica de tal corpo social. Tal medida poderia ser executada por meio da concessão de empréstimos a baixos juros a microempreendedores, que contariam, ainda, com auxílio para desenvolver sua plataforma on-line de vendas. Dessa forma, poder-se-á reduzir as desigualdades e promover a economia por meio do comércio digital.