O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 03/11/2020
De forma ficcional, Thomas Morus, filósofo inglês da época renascentista, em sua obra “Utopia”, descreve um mundo perfeito, em que os cidadãos de sua ilha não precisam se preocupar com capital ou diferenças de nenhum tipo. Ali, na ilha-reino, todos possuem a mesma renda e não carecem de fome ou doenças, repartindo a divisão de trabalho por todos. No Brasil, porém, mesmo com inúmeros tipos de desigualdades, principalmente as de renda, o comércio virtual continua evoluindo e tomando grande espaço na vida do brasileiro. Isso se dá pelo fácil acesso à internet — meio utilizado para as compras, não só como o consumismo desenfreado iniciado na Revolução Industrial do século XVIII.
À priori, é preciso entender como os acontecimentos da década de 50 influenciaram na rapidez da troca de informação atual. A Terceira Revolução Industrial, mais conhecida como Revolução Técnico-Científica foi responsável, no início do século XX, pela expansão dos computadores e da internet, o que transformou a sociedade e tornou o mundo conectado de ponta a ponta da forma que é hoje. Segundo Steve Jobs, inventor e fundador da Apple, a tecnologia move o mundo. De fato, estudos da NeoTrust apontaram um aumento de 22,7% nas vendas para o comércio eletrônico, do ano de 2018 para o de 2019. Assim, a facilidade no uso da internet, presente em grande parte do globo, influencia diretamente na altas do mercado online, sendo uma ferramenta fundamental para os vendedores.
Ademais, Zygmunt Bauman, sociólogo polônes, critica em “Modernidade Líquida” o conceito das fragilidades humanas e quão conectado essa fragilidade está ao desejo de consumir desenfreado do ser humano. De acordo com Bauman, o indíviduo do século XXI é influenciado pela produção ininterrupta da indústria e o uso e desuso intermitente de mercadorias, levando esse comportamento para suas esferas mais importantes, como a social. Assim, com a presente mentalidade do mercado, todos os itens vem e vão, de forma fácil e cíclica, gerando muito lucro para os comerciantes dentro ou fora da internet.
Finalmente, o crescimento do comércio virtual no Brasil é real e deve ser estimulado. Urge que o Ministério das Comunicações distribua salas equipadas com computadores em áreas periféricas para que a internet seja distribuída de forma mais igualitária para brasileiros de menor condição financeira. Essas salas devem ter internet inclusa e acesso garantido mediante documento oficial com foto. Além disso, o Ministério da Educação deve criar um projeto de aulas sobre economia e consumo para serem magistradas do ensino fundamental ao ensino médio nas escolas do país, que teriam como objetivo a educação financeira e o controle de dívidas e exageros relacionadas ao capital pessoal. Dessa forma, o mercado online brasileiro pode crescer ainda mais e de forma responsável.