O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 16/11/2020
Em meados do século XX, durante o período da Guerra Fria, desenvolveu-se uma nova fase do processo de industrialização, denominada Revolução Técnico-Científica. A princípio, tal dinâmica industrial inaugurou inúmeros avanços no setor de informática e telecomunicações. Nesse contexto, aliadas às sociedades contemporâneas, as relações de consumo também foram renovadas, em razão da facilidade de acesso à informação e a novos produtos perante o desenvolvimento do comércio eletrônico. Contudo, no Brasil, o comércio virtual ainda enfrenta desafios à sua efetiva consolidação. Desse modo, em função do Capitalismo e da desigualdade digital, tal condição torna-se evidente e problemática.
Em primeiro plano, o sistema econômico capitalista corrobora o problema, na medida em que se vale do ambiente virtual para obter lucro com o desenvolvimento do comércio. Isso pode ser verificado com o aumento de propagandas virtuais. Com isso, foram desenvolvidos padrões de rastreamento de dados do usuário a fim de personalizar as propagandas de acordo com o tipo de consumidor. Esse mecanismo promove o aumento das vendas, já que o indivíduo é sutilmente persuadido a comprar um produto que, provavelmente, já o interessava. Assim, cada cidadão é afetado diretamente por mecanismos de venda e nem sempre tem conhecimento disso, o que acarreta a restrição indireta da liberdade individual. Ademais, a desigualdade digital contribui para a ocorrência do problema. Isso se confirma com as longas filas de trabalhadores informais modeladas nas agências bancárias, em busca do auxílio emergencial fornecido pelo Governo, durante o enfrentamento inicial da pandemia de Covid-19 no país. Já que, embora tal instituição tenha disponibilizado um site próprio para facilitar o processo de solicitação desse recurso, grande parcela da população negligenciou o isolamento social, uma vez que não conseguiu utilizar tal ferramenta, pois possui acesso precário à internet ou inexistente. Outrossim, empresas fornecedoras de conexão à rede concentram sua atuação nos grandes centros urbanos, ao ofertar um serviço de maior qualidade, em detrimento do fornecido às regiões periféricas que é restrito. Com efeito, tal condição fomenta uma tendência segregatória que impede que as camadas vulneráveis tenham acesso à rede e aos benefícios do comércio virtual.
Logo, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação integrar à grade curricular o ensino sobre o uso seguro e consciente da internet por meio da realização de projeto que expliquem aos seres como o controle de dados é feito e os efeitos deste. Ademais, cabe a Anatel ampliar a oferta do serviço de conexão à rede a todas as regiões do pais, a fim de permitir que mais cidadãos possam ser beneficiados pelo uso do comércio eletrônico.