O crescimento do comércio virtual no Brasil

Enviada em 25/11/2020

Em sua teoria da ”modernidade líquida”, o filósofo Zygmunt Bauman atesta que as idiossincrasias da sociedade contemporânea estão pautadas em vivências e relações cada vez mais velozes e efêmeras. Nesse contexto, o e-commerce — termo que designa o comércio pela internet — firma sua ascensão como uma alternativa que oferece praticidade e comodidade, aliadas ao imediatismo, ainda que sofra com empecilhos pontuais. Em vista disso, é necessário entender os desafios enfrentados pelo varejo on-line no Brasil.

Inicialmente, é preciso destacar os benefícios do comércio virtual, que atende não apenas as necessidades dos consumidores, como também dos empresários e microempreendedores no que tange ao aspecto do baixo investimento inicial, considerando que não há a necessidade de um espaço físico ou um contigente expressivo de funcionários. Não obstante, um estudo realizado pela Lett em 2020 revela que 64% das pessoas opta por adquirir produtos em lojas físicas.

Partindo desse pressuposto, então, os dados ratificam a persistente relutância da parcela da população em adotar a prática de compras on-line, relutância essa que gera uma perda de público consumidor para o mercado. Uma das motivações para a insegurança é o medo de fraudes; de acordo com levantamento da Mintel, 1 em cada 4 brasileiros desiste de uma compra on-line por receio de ser vítima de golpes. A partir disso, torna-se evidente o quão danosa a falta de confiança por parte da clientela é ao e-commerce.

Outrossim, a precariedade da internet é outro fator contraproducente ao desenvolvimento do setor, apresentado-se frequentemente como instável e agindo, decerto, como obstáculo na realização das transações virtualmente. Além do desencorajamento à compra e do prejuízo econômico, os problemas de conectividade contrariam o próprio ideal do e-commerce, gerando o transtorno que em sua teoria deveria estar sendo evitado.

Depreende-se, então, diante das problemáticas expostas, a proficuidade de um maior incentivo e amparo ao e-commerce por parte do Estado, mediante a criação de um órgão regulamentador do comércio pela internet, que elaboraria um selo virtual de controle de qualidade sob critérios e normas pré-estabelecidas com o intuito de aferir maior segurança e confiança aos consumidores. Ademais, a aplicação de verbas públicas em tecnologia para garantir uma internet mais capacitada impulsionaria o setor ao assegurar melhores condições de acesso aos sites e serviços on-line. Destarte, o e-commerce é potencializado, proporcionando reinvenção e expansão para o comércio nacional.