O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 05/12/2020
Um recente estudo realizado pela consultoria de gestão estratégica Kearney, mostrou que em 2019, o comércio virtual faturou R$ 75 bilhões, e apresentou um crescimento de 38% em relação à 2018. Sob essa perspectiva, é correto afirmar que o crescimento do varejo digital é recente, acelerado e em vigência, uma vez que existe uma mudança de hábitos no perfil dos consumidores brasileiros provocada pela busca do conforto e comodidade, e pela impulsão provocada pelo isolamento social da pandemia do COVID-19. Entretanto, essa conjuntura provoca mudanças substanciais nas relações de trabalho e provocam impactos econômicos à pequenas lojas físicas que não passaram pelo processo de digitalização. Logo, faz-se necessária a análise da problemática, a fim de contornar os impasses provocados pelo comercio virtual no Brasil.
Em primeira análise, as novas tendências de consumo, junto á nova demanda provocada pelo isolamento social promoveu alterações nas relações de trabalho, como mostra dados do E-comence, que evidencia um aumento significativo durante o período mais crítico de isolamento social, no qual 4 em cada 5 brasileiros realizaram alguma compra online, com destaque para o ramo alimentício. Dessa forma, os recursos necessários para essas empresas realizarem essas transações, como entregadores, sistema operacional, plataformas, entre outros; provocam a efetivação do fenômeno da “uberização”, que consiste em trabalhos liberais, flexíveis e informais por meio de aplicativos de telefone.
Entretanto, na prática, essa conjuntura promove consequências para os trabalhadores, visto que esses não possuem leis trabalhistas e nem benefícios a seu favor. Dessa maneira, promove-se uma precarização das condições de trabalho, devido a uma organização decentralizada entre contratante e contratado. Além disso, outro impacto vigente desse processo acelerado é a dificuldade de comércios físicos pequenos digitalizarem e se incluir no mercado digital, já que não contam com instrução empresarial para compreender a nova dinâmica do mercado. Assim, esses comerciantes ficam à margem da estrutura, e sofrem ainda mais com a nova demanda do isolamento social.
Infere-se, portanto, que para contornar os impactos provocados pelo comércio virtual é necessário que o Ministério do Trabalho, junto ao SEBRAE, regulamente a terceirização, por meio do apoio ao surgimento de empresas privadas que poderão ser contratadas pelos trabalhadores para cuidarem da sua relação com o contratante, e assegurem condições favoráveis de trabalho, realizando prognósticos de lucro, e que crie um sistema de benefícios e seguro de vida. Além disso, instruir os lojistas da importância da digitalização e a introdução dos mesmos no mercado digital. Dessa maneira, visando a redução dos impactos provocados por essa precarização oriunda da nova dinâmica mercadológica.