O crescimento do comércio virtual no Brasil

Enviada em 20/12/2020

Para Zygmunt Bauman, sociólogo do século XX, o crescimento tecnológico resulta numa sociedade imediatista e consumista. Tal visão, reflete a problemática enfrentada no século XXI no Brasil, isto é, com a efetivação do comércio na esfera virtual, a sociedade esbarra em impasses que dificultam o acesso à compra salutar. Nesse sentido, a postura consumista -reflexo da instanteneidade no processo da aquisição do produto- bem como o consequente endividamento como fruto da falta de educação financeira no Brasil, configuram barreiras pertencentes à problemática. Tendo em vista que a inadimplência impacta diretamente o nível de consumo, além do funcionamento da enconomia de um país, torna-se urgente a mitigação da mazela contemporânea.

A princípio, é necessário analisar o modo como o consumismo intensificou-se com o advento do comércio virtual. De acordo com uma pesquisa levantada pelo ZNZ Intelligence, 74% dos consumidores preferem compras virtuais. Diante disso, é possível inferir que a preferência está intrinsecamente ligada à rapidez com que é realizada a compra, uma vez que o brasileiro, constantemente, busca recursos potencializadores da otimização do tempo. Nessa lógica, o consumo exacerbado, por conta do imediatismo característico do mundo tecnológico, está presente na nação brasileira e precisa de um olhar crítico de enfrentamento pelo poder público.

Em seguida, além da maneira inconsequente de compra no “E-commerce” - comércio eletrônico- o endividamento da população decorrido da falta de instruções financeiras no primórdio da sua formação educacional gera um cenário nocivo ao consumidor. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 4,6 milhões de brasileiros estão endividados. Nesse contexto, verifica-se que a inadimplência dessa parcela da população é, em grande parte, consequência do modo desenfreado de consumo praticado no comércio eletrônico. Levando em consideração que o endividamento impossibilita a aquisição de novos produtos em esfera virtual ou física, é imediato que haja ensino financeiro nas escolas dos quatro pontos da nação verde-amarela, com o fito de minimizar condutas imediatistas que colocam o indivíduo em estado inadimplente.

Logo, o poder público, em sinergia com profissionais da área da Economia, deve introduzir no currículo de ensino debates, bem como assessorias acerca do uso do dinheiro no univerno físico e tecnológico, por meio de projetos lúdicos que envolvam o jovem na pauta, tendo em vista da complexidade do assunto e a importância que tais projetos podem significar na mudança do cenário atual, com a finalidade de promover relações saudáveis de consumo. Feito isso, a sociedade descrita por Bauman conseguirá realizar compras de maneira saudável no Brasil.