O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 14/01/2021
No contexto da Idade Média, a comercialização de produtos era realizada em grandes feiras, que reuniam pessoas advindas de diversos lugares da Europa. Em paralelo, na contemporaneidade, destaca-se o crescimento do comércio virtual no Brasil, em que as novas relações de compra e venda configuram tanto benefícios tanto malefícios à sociedade globalizada. Logo, em virtude da busca por prazeres imediatos e da falta de priorização governamental, faz-se necessária a análise das consequências das novas relações de “e-comerce” no país, a fim de conceber a correta inserção dessa nova modalidade de transação em uma economia emergente.
Em primeiro plano, cabe ressaltar como um efeito do aumento do comércio eletrônico a perpetuação do hiperconsumismo no contexto capitalista. Nessa perspectiva, de acordo com o filósofo hedonista Epicuro, o prazer é o caminho certo para atingir a felicidade, ou seja, a busca por satisfações instantâneas por meio do consumo excessivo consolida-se como um caminho para ser feliz no século XXI. Diante disso, com a adaptação dos avanços tecnológicos ao estilo de vida do sujeito contemporâneo e as necessidades humanas atuais- como a expansão do varejo digital e as novas dinâmicas de logística e divulgação- consolida-se um aumento da utilização das ferramentas pelos consumidores, devido a condição de maior acessibilidade e facilidade dos mecanismos digitais.
Ademais, a carência de amparo trabalhista reflete no crescimento precarizado de alguns setores de seviços on-line. Sob essa lógica, segundo o pensador sul-coreano Bying Chul-Han, em sua obra “sociedade do cansaço”, hoje, o indivíduo se explora e acredita que isso é realização. Assim, mesmo com uma maior integração do e-comerce no mercado brasileiro, como afirma o estudo do “NeoTrust”, em que o comércio eletrônico faturou mais de 70 bilhões em 2019, a insuficiência de priorização do Estado aos pequenos empreendedores materializa novas formas de violência, Dessa forma, trabalhadores de aplicativos de entrega, por exemplo, como Ifood e Uber, garantem sua renda sem assegurações laborais, com risco de vida e condições insalubres, que perpetuam um contexto de insegurança.
Evidencia-se, portanto, a importância de medidas para solucionar o impasse. Para tanto, o Poder Público, em parceria com influenciadores digitais da área do e-comerce, deve implantar campanhas nas redes sociais sobre o aumento do hiperconsumismo, através de palestras gratuitas com especialistas, com o intuito de estimular um consumo virtual cosciente e sustentável. Além disso, é uma obrigação dos órgãos legislativos promover a alteração da CLT, com a finalidade de fornecer benefícios aos trabalhadores autônomos, e, por fim, configurar um crescimento do comércio virtual benéfico, somente.