O crescimento do comércio virtual no Brasil

Enviada em 13/04/2021

“Acredito na resistência do mesmo modo que acredito que não pode haver sombra a menos que também haja luz.” Nesse trecho, escrito por Margaret Atwood em sua obra “O conto da Aia”, nota-se que, perante os problemas sociais, tomar uma postura de enfrentamento demonstra ser algo intrinsecamente natural. Pode-se levar esse posicionamento resiliente como elemento norteador para as discussões acerca da desvalorização do comércio virtual no Brasil, já que, diante deste entrave, resistir é fundamental. Nessa perspectiva, é interessante analisar essa questão no país.

Inicialmente, observa-se que falta o Estado fiscalizar o sistema de segurança de dados nas relações de “e-commerce”, garantindo o direito à privacidade do cliente. Isso porque uma pessoa pode sentir o desejo de realizar uma compra “on-line”. Entretanto, o receio de ter suas informações pessoais confidenciais roubadas pela loja virtual, por exemplo, tende a se configurar como um elemento de inibição. Dessa maneira, as pesquisas do psicanalista Sigmund Freud, de que o ser humano vive constantemente em conflitos internos entre seus impulsos inconsciêntes (Id) e a consciência dos limites sociais (Superego), são fortalecidas por esse cenário.

Além disso, enfatiza-se que essa desvalorização é um reflexo dos estereótipos que existem na sociedade. Sabe-se, pois, que, o investimento financeiro estatal na modernização da infraestrutura dos Correios, por exemplo, tem sido marginalizado, o que se explica a partir da crença, transmitida de forma cultural, de que tal ato configura-se como um desperdício de dinheiro público, desconsidderando, porém, que a atualização na logística de envios e, conseguinte, maior rapidez, pode fomentar o aumento da lucratividade da capitalização virtual. Para compreender esse cenário, pode-se tomar como base os estudos do filósofo Friedrich Nietzsche, os quais constatam de a escassez de informações pode causar entendimentos deturpados sobre a realidade.

Ressalta-se, em suma, que a desvalorização do comércio “on-line” deve ser superada. Portanto, é necessário exigir do governo, mediante debates em audiências públicas, a fiscalização da legislação existente, priorizando a inspeção, a partir do Ministério Público, de empresas que divulgam dados pessoais dos seu clientes da rede, com o objetivo de efetivar o direito à privacidade desse cidadão. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância de se reconhecer as ideologias preconceituosas existentes acerca do investimento na infraestrutura dos Correios, potencializando, assim, a desconstrução da visão limitada de que é um gasto de verbas estatais. Dessa forma, a resistência apresentada por Margaret Atwood não ficaria restrita à obra.