O crescimento do comércio virtual no Brasil

Enviada em 15/04/2021

Conforme dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), entre 2019 e 2020, houve um aumento de 68% das vendas de produtos pelo meio digital. Nesse viés, há a ampliação do comércio virtual no Brasil contemporâneo. Dessa maneira, é fundamental analisar os principais problemas presentes nesse cenário: a compra inconsciente de produtos falsificados e a falta da democratização do acesso ao “e-commerce”.

Em uma primeira abordagem, deve-se falar que a Teoria da Cordialidade, do sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, propõe a sobreposição das normas legais pelas relações interpessoais. Nesse sentido, no Brasil, mesmo sendo considerado crime, diversos comerciantes, em busca do lucro, vendem produtos falsificados como se fossem originais. Nessa perspectiva, esses vendedores ilegais utilizam o aumento do comércio virtual para se camuflarem no grande universo de sites de venda digital. Diante disso, o comprador, o qual, normalmente, não sabe diferenciar sites de comércio ilegal dos de venda legítima, compram, inconscientemente, produtos falsificados. Nesse cenário, diversos criminosos utilizam o contexto do aumento dos “e-commerce” para se beneficiarem do comércio ilegítimo no país.

Em uma segunda análise, deve-se dizer, ainda, que no texto “Cidadanias Mutiladas”, do geógrafo Milton Santos, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social. Contudo, mesmo com o aumento do “e-commerce” no Brasil, nem todas as pessoas conseguem usufruir desse espaço de compra, pois muitos cidadãos, ainda, não têm acesso à internet. Prova disso são dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os quais mostram que mais de 5,4 milhões de brasileiros ainda não são usuários dessa tecnologia devido ao alto valor monetário desse serviço. Nesse contexto, a democratização do acesso aos shoppings virtual não é uma realidade brasileira, pois grande parte da população de baixa renda não possui serviços de rede.

Portanto, o crescimento do comércio digital é uma realidade brasileira. Assim, é necessário que a ABComm informe a população como diferenciar sites de comércio legítimos dos de venda ilegal, por meio de vídeos, os quais serão transmitidos nas redes sociais, para que os cidadãos não comprem produtos falsificados inconscientemente. Além disso, é necessário que empresas de serviços de rede em parceria com as prefeituras possibilitem os cidadãos a serem usuários da rede, por intermédio, da distribuição do acesso gratuito e seguro à internet em locais públicos, sobretudo em regiões onde habitam muitas pessoas de baixa renda, objetivando a democratização do acesso aos shoppings virtuais. Dessa forma, haverá a minimização dos problemas associados ao contexto do crescimento do comércio virtual no país verde-amarelo.