O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 15/04/2021
O liberalismo econômico foi entendido como uma polêmica, no século XVIII, por criticar as estruturas e trabalhistas enraizadas à sociedade da época. Hoje, contudo, as críticas liberais também podem fazer sentido, já que o avanço do comércio virtual no Brasil promove a exclusão de indivíduos desatualizados da tecnologia, bem como a marginalização de relações trabalhistas. Logo, exigindo uma análise do comportamento dos cidadãos com essas inovações e na ideia de democracia trabalhista.
De início, uma grande desigualdade social que assola o país torna-se injusto com o acesso da população às novas formas de comércio digital. Nesse sentido, Rubem Alves entende como ’’ Escola Gaiola ’’ como instituições pedagógicas que não despertam nas pessoas as ferramentas necessárias para conviver em harmonia com as inovações sociais. Nisso, o baixo acesso de indivíduos mais carentes ao “e-commerce” demonstra a negligência de instituições educacionais em despertar o interesse pela tecnologia aos alunos, como a promoção de aulas de informática e eletrônica. Dessa forma, enquanto esse biotipo de escola for regra, o país tenderá a viver cada vez mais com um meio virtual desigual.
Ademais, a nova onda do e-commerce não assegura a todos os trabalhadores, uma relação laboral saudável e com direitos preservados. Nesse sentido, o geógrafo Milton Santos condena a cultura de flexibilização do trabalho promovida por parte de grandes empresas, que tendem a precarizar o cotidiano dos proletários, a fim de reter o maior lucro possível em uma venda. Não atoa, se tornou corriqueiro a prática de trabalhadores informais percorrerem grandes distâncias de bicicleta para entregar um produto vendido online, pondo em voga como péssimas condições de trabalho e, assim, demonstrando o quão antidemocrático se mostra esse panorama. Assim, fica claro que o problema central não é a modernização do comércio, mas a precarização do trabalho como consequência.
Portanto, é necessário que os diversos agentes sociais se unam para tornar o comércio digital um meio mais democrático, acessível e com segurança aos empregos surgidos a partir dissso. Logo, cabe ao Ministério Público se aliar a membros de investimento – como grandes bancos do país – para aplicar fundos na área do comércio digital. Isso deve ocorrer por meio de normas legislativas que garantam a construção de redes informáticas em todas as escolas do país, além de modernizar as condições de trabalho que aparecem pelo e-commerce, como o transporte eficiente para ‘’delivery’’. Desse modo, essas ações teriam o fito de construir um país mais atualizado, com aptidão para novas ferramentas digitais e que, acima de tudo, para que os indivíduos possam estar seguros em meio a qualquer inovação.