O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 18/04/2021
No seriado “Como vender drogas online”, produção original da “Netflix”, é retratado a vida do jovem Motriz, estudante socialmente marginalizado que, por meio da venda de drogas ilícitas via internet, consegue ascender dentro do corpo social e, ainda, adquirir altos ganhos financeiros. Fora da ficção, é notável o aumento da influência da tecnologia sobre a vida dos indivíduos, alterando, inclusive, a dinâmica como as relações comerciais se dão dentro da sociedade. Nesse sentido, é válido analisar de que modo o contexto da 4° Revolução Industrial fomenta o uso de plataformas virtuais para tal fim, como também os impactos dessa tendência capitalista dentro do tecido social brasileiro.
Em primeira análise, é preciso entender como os crescentes avanços tecnológicos reforçam a dependência digital. Inovação do século XXI, o conceito de “internet das coisas” vem explicar a revolução que ocorre em razão da hiperconexão dos aparelhos usados diariamente à grande rede mundial de computadores, com o objetivo de diminuir, cada vez mais, as distâncias entre os usuários e, até mesmo, empresas. Nesse sentido, os modelos de venda dentro do mercado mostram-se adaptados à nova tendência mundial, uma vez que se nota a presença cada vez maior de firmas em sites e redes sociais, que utilizam o marketing digital para atrair e fidelizar clientes. Segundo a Ebit Nielsen, empresa que recolhe a analisa dados do comércio virtual, a expectativa de crescimento para o setor é de 26%, aproximadamente, o que demonstra o portencial da área. Logo, tem-se a convergência da revolução digital para setores mercadológicos de produção, venda e distribuição de produtos.
Outrossim, é necessário perceber como a nova modalidade comercial afeta o corpo social. Para o sociólogo Karl Marx, verifica-se no mecanismo capitalista a “mais-valia relativa”, que seria quando, por causa de novas tecnologias, a mão-de-obra humana seria forçada a dar espaço para a mecanização da produção, criando o desemprego estrutural. Nessa lógica, põe-se como exemplo o interesse atual das empresas pela demissão de vendedores convencionais à adesão de sistemas digitais “online”, além de uma pouca e especializada quantia de profissionais da área. Assim, o crescimento do comércio virtual pode acarretar marginalização social e agravar o número de desempregados no país.
Portanto, medidas são necessárias para conciliar o avanço comercial e tecnológico às questões sociais. Nessa perspectiva, é preciso que o Ministério e Secretarias do Trabalho proponham ações que regulem esse tipo de atividade comercial a fim de que assegurar prosperidade para empresas e empregados. Pelo caráter recente da situação, devem ser criadas normas e leis que fiscalizem tal atividade digital para evitar exageros que prejudiquem os envolvidos, incluindo o cliente, e garantir a continuidade do novo sistema de consumo, tal como foi tratado pela produção da “Netlfix”.