O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 31/05/2021
O início do século XXI veio acompanhado das grandes mudanças advindas do campo da Administração Científica, o qual contou com incrementos no que tange às áreas de empreendedorismo e marketing digital. Tal fato viabilizou o amplo crescimento do comércio virtual na conjuntura brasileira, de forma a trazer múltiplos desdobramentos ao tecido coletivo, a saber: impulsionamento do consumismo e flexibilização dos serviços comerciais oferecidos.
Em primeira instância, é lícito postular que, segundo dados emitidos em 2021 pela revista G1, o ano 2020 contou com um faturamento, nas empresas digitais, cerca de 22% maior se comparado ao ano anterior, informação essa que claramente notabiliza o acelerado crescimento da tendência consumista. Sob essa perspectiva, Adorno e Horkheimer, insígnes sociólogos da escola de Frankfurt, já haviam levantado a possibilidade das tecnologias atuantes influenciarem no comportamento dos indivíduos, tanto no âmbito social, como no pessoal. Assim, a crescente dinâmica comercial supracitada possui a prerrogativa de não somente induzir ao consumo exarcebado pelos inúmeros produtos anunciados, mas também de influenciar diretamente a tomada de decisão dos indivíduos, a qual é, de certa maneira, traçada pelas linhas do marketing digital.
Outrossim, é válido mencionar que o processo contemporâneo em discorrência fomenta, ainda mais, a flexibilização dos serviços comerciais. Consoante ao notável sociólogo brasileiro Ricardo Antunes, o tecido coletivo hodierno vivencia a “era da escravidão digital”, a qual é cunhada pela larga propensão à constante inovação e à uberização das atividades prestadas. Logo, infere-se que a implantação das empresas virtuais reforça o afrouxamento das relações trabalhistas e propulsiona a presença de distintas mercadorias dispostas à aquisição desenfreada.
Destarte, faz-se necessária a adoção de ações concretas voltadas ao panorama virtual, a fim de que as transações comerciais ocorram de forma mediada e natural. Desse modo, urge o Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação, aliado ao empreendedorismo digital das empresas participantes, implantar o projeto “Menos Consumo, Mais Consciência”, o qual atuará nas plataformas tecnológicas, por meio de vídeos educativos e anúncios recorrentes em sítios de pesquisas, que terão como fito instruir a população quanto à importância das compras reguladas. Com efeito, permeará no cenário nacional indíviduos devidamente informados e cientes em relação aos impactos e vantagens trazidos com a prática do e-commerce, o comércio digital.