O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 23/08/2021
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, na contemporaneidade, vive-se em uma modernidade líquida, na qual as relações são maleáveis e fluidas, como líquidos, em contraponto ao passado, rígido como sólido. Nessa lógica, o estático se transforma em dinâmico, tal como se pode perceber com o crescimento do comércio virtual no Brasil substituindo gradualmente as lojas físicas e tornando o mercado cada vez mais especializado no consumidor, fenômeno esse que reforça práticas consumistas e prejudica o meio ambiente.
A priori, o Fordismo, técnica produtiva muito difundida no início do século XX, era caracterizado pela produção em massa de uma única mercadoria, o que fazia com que a produção fosse pouco especializada. Além disso, para ter acesso a esses produtos, o consumidor tinha que se deslocar até as lojas, com limitadas opções disponíveis no estoque. Em contraposição, atualmente, com o advento da internet, o consumo se torna cada vez mais dinâmico: muitas opções, fácil acesso e com uma grande disponibilidade de lojas virtuais (haja visto a facilidade de criá-las). Por conseguinte, há um notório aumento da concorrência e o mercado tende a se especializar cada vez mais para atender os anseios do cliente. Contudo, apesar disso ser benéfico para o consumidor, essa situação reforça práticas consumistas - segundo um estudo da NeoTrust, a média de gasto total do consumidor foi de R$ 2.121 em 2019 comparado a R$ 1.914 um ano antes -, que por sua vez podem gerar consequências fatais para o meio ambiente.
Nesse sentido, com o aumento das vendas, há também o aumento da geração de lixo, seja por parte dos consumidores pelo descarte de materiais poluentes como sacolas plásticas, ou pela própria indústria, que descarta resíduos da produção muitas vezes de maneira indevida, como em lixões a céu aberto. Sendo assim, o advento do comércio virtual e o estímulo ao consumo em massa, que reforça práticas consumistas, se relaciona diretamente com os problemas ambientais atuais, tais como a chuva ácida e o aquecimento global. Como exemplo disso, pode-se citar o documentário “The True Cost”, que aborda os impactos socioambientais da indústria da moda, sendo ela a segunda maior contribuidora para a degradação do meio ambiente.
Em suma, diante desse quadro, faz-se necessário que o Estado seja ativo no combate ao consumo de mercadorias que prejudicam o meio ambiente, por meio da redução de impostos para empresas que praticam ações sustentáveis, como por exemplo a utilização de embalagens biodegradáveis e produtos de origem vegana, a fim de que, com tal ação, sejam mitigados os efeitos da cultura do consumismo estimulada pelo comércio virtual.