O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 22/10/2021
O filósofo Jean-Paul Sartre definiu que o homem está condenado a ser livre. Com base nessa afirmação, se observa que as atitudes - impulsivas, irresponsáveis e compulsivas- de expressiva parcela da população mostra-se fruto dessa ilusória liberdade. No que tange ao crescimento do comércio virtual, sobretudo no Brasil, é possível associá-la ao consumismo irracional e ao momento histórico da pandemia do coronavírus. Cabe-se, então, buscar medidas para racionalizar essa prática econômica.
Em uma primeira análise, sob a ótica social, o comércio virtual ergue-se como facilitador do aumento do consumismo pelos indivíduos. Isso porque os avanços tecnológicos possibilitaram a ampla difusão das lojas ao mundo virtual, o que antes era restrito ao ambiente físico. Nesse panorama, a visualização de novos produtos, a partir dos celulares e dos computadores, estimulou o crescimento do consumo e, muitas vezes, a falsa necessidade de adquirir novos produtos para melhorar o humor. Schopenhauer, nesse sentido, a partir do conceito de vontades incessantes, afirmou que os indivíduos buscam constantemente suprir suas vontades pessoais, mas não se sentem satisfeitos após realizarem os objetivos, o que os insere dentro de um ciclo que se retroalimenta para buscar satisfação própria. Dessa forma, o comércio virtual auxilia a repetição desse processo atrelado ao emocional das pessoas.
Ademais, vale ainda ressaltar que a atual realidade de distanciamento social promovida pelo combate ao coronavírus no país auxíliou no crescimento do comércio virtual. Essa correlação pode ser estabelecida em decorrência do fechamento dos estabelecimentos durante os períodos de quarentena obrigatória, o que tornou a internet o meio adequado e possível para se realizar novas compras. Atrelado a isso, boa parte da população percebeu, no campo virtual, a comodidade de adquirir novos itens sem precisar enfrentar as filas nas lojas físicas. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, houve aumento de 68% das vendas online em 2020, o que reflete os impactos positivos dessa recente forma de consumismo para a economia brasileira. Dessa maneira, apesar dos impactos nocivos da pandemia, o setor de vendas virtual conseguiu aumentar sua participação na sociedade.
Torna-se evidente, portanto, que o crescimento do comércio virtual no Brasil é subproduto do consumismo desenfreado e da pandemia recente. Para racionalizar essa prática econômica, faz-se preciso que o Poder Executivo, por intermédio do Ministério da Economia, faça, em conjunto com a grande mídia, a criação do projeto “Comércio na mão”, no qual seja difundido a facilidade das compras pela internet e as consequências do consumo irracional. Isso deve ocorrer por meio de campanhas publicitárias que mostrem essas relações para frear as aquisições inúteis. Espera-se, assim, que a condenação da liberdade proposta por Sartre seja utilizada de forma consciente entre os brasileiros.