O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 18/04/2018

Perfeição dolorosa

É notório que desde o surgimento padrão de beleza na Grécia Antiga, este ainda se consolida nos dias de hoje. Pode se ter como exemplo a Marilyn Monroe sendo a representação do paradigma da perfeição ocidental nos anos 40, que, diferente do atual, exibia seu corpo voluptuoso por meio do cinema. Entretanto na atualidade, se predomina um rígido culto à magreza inalcançável que atua simultaneamente com a ascensão de empreendimentos, por conta disso, é necessária a análise a respeito de suas particularidades e efeitos na sociedade contemporânea.

Nesse quesito, a mídia possui um papel preponderante na difusão e imposição de modelos sublimes de beleza na sociedade vigente, juntamente com a vulgarização de propagandas das indústrias dietéticas, cosméticas, franquias de academias e clínicas de estética e cirurgias plásticas, graças ao auxílio da globalização. A imprensa, por exemplo, através de artigos e tutoriais, instruem o indivíduo em como ele pode se adequar a específicos moldes.

O cidadão diante desta estipulação sofre com a cobrança de ser um consumidor desenfreado das companhias beneficiadas com os padrões de beleza, assim, se torna dependente de mecanismos nocivos à sua saúde. Em consequência disso, é legitimado que mais de dois terços das jovens paulistas são propensas a possuir distúrbios alimentares, tais como anorexia, bulimia e vigorexia. Segundo a Secretaria de Saúde de São Paulo, a cada dois dias, em média, uma pessoa é internada no SUS (Sistema Único de Saúde) devido estes transtornos.

Mediante ao exposto, é fundamental a participação da mídia na desconstrução destes modelos de beleza através de campanhas virtuais que podem ser criadas pela Secretária Especial de Comunicação Social, a ação deve incentivar a representação da diversidade entre os tipos de corpos. Simultaneamente, é crucial a intervenção do Ministério da Saúde, com um programa que visa a realização de debates e palestras sobre o assunto nas escolas públicas e privadas, por profissionais da área de nutrição e psicologia, para assim, orientar os jovens sobre os riscos de certas práticas que visam o corpo “ideal”. Afinal, é importante que todos consigam entender que a estética não define o caráter pessoal, e assim como Fernando Pessoa transmitiu “Definir o belo é não o compreender”.