O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 20/04/2018

A padronização corporal imposta, principalmente, pelos meios de comunicação e de propaganda tem contribuído para a dispersão de uma definição equivocada do conceito de beleza. Ademais, a criação de um modelo estético irreal contribui para a busca de um corpo inatingível, levando os indivíduos a terem diversos distúrbios alimentares. Sendo assim, a questão da padronização corporal não só envolve um problema social, como também envolve um sério problema da área de saúde.

Em se tratando dos parâmetros de beleza, a mídia e a publicidade têm papéis fundamentais na expansão dos padrões estéticos. Os meios de comunicação e as propagandas difundem uma definição única de corpo “ideal” e obrigam, mesmo que indiretamente, a população a seguir essa concepção, já que divulgam a ideia de que, para ser feliz e socialmente aceita, a pessoa deve, obrigatoriamente, seguir os arquétipos da mídia. Além do mais, diferente do que está ocorrendo nas redes sociais, a beleza não pode ser restrita a uma visão singular, uma vez que o seu conceito é relativo, ou seja, varia de um indivíduo para outro. Logo, conclui-se que quando há a padronização corporal, há, também, um processo de exclusão das outras concepções da beleza acerca do corpo humano.

Somando-se à problemática, a modificação feita em fotos, por meio do “photoshop”, leva à criação de um corpo considerado “perfeito” pela sociedade, porém totalmente inatingível e idealizado. Por não terem informações a respeito da edição da foto, muitos indivíduos acreditam ser possível atingir a beleza exposta nas imagens. Quando percebem que não conseguem cumprir sua meta de ter um corpo “ideal”,  entram em uma série de dietas doentias e exercícios físicos exacerbados, levando ao aumento da ocorrência de distúrbios, como a anorexia nervosa e a bulimia. A situação piora quando o indivíduo não percebe que está doente e continua sua busca obsessiva pela adequação aos padrões de beleza.

Desse modo, cabe ao Ministério da Saúde ampliar a rede médica de nutricionistas, voltados para o sujeito que sofre de distúrbios alimentares, e de psicólogos, voltados para o indivíduo que possui uma autoestima baixa e uma dependência dos padrões de beleza, tentando, incontrolavelmente, encaixar-se nos parâmetros estéticos. Essa ampliação deve ser feita por meio de um aumento nos investimentos nessas áreas da saúde, além de incentivar a formação de profissionais em psicologia e nutricionismo. O objetivo dessa medida é direcionar as pessoas a uma alimentação mais saudável e sem radicalismos, combatendo as patologias ocasionadas pela padronização corporal, além de aumentar a autoestima de cada indivíduo e mostrar que a felicidade e o sucesso não dependem da aparência, combatendo, dessa forma, o conceito errôneo acerca da beleza do corpo imposto pela mídia e pela propaganda. Tomando essa medida, a questão da padronização corporal no Brasil poderá ser atenuada.