O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 21/04/2018
“O homem é o lobo do próprio homem.” As ideias iluministas do filósofo Rosseau, fazem alusão à muitos problemas vividos no limiar do século XXI, causados pela própria população. O culto ou ideia do padrão de corpo perfeito está cada vez mais presente na sociedade. Dessa forma, deve-se analisar como a herança histórica e a mídia prejudicam a questão.
É indubitável que a herança histórica é a principal responsável pela manutenção de estereótipos corporais. Isso decorre do século XVI, quando a ordem escravocrata disseminou ideias de superioridade e padrões. A sociedade então, por tender a incorporar costumes de época, conforme defendeu o sociólogo Pierre Bordieu, naturalizou esse pensamento e passou a reproduzir a ideia de que alguns podem ser superiores à outros. Porém, não se sustenta a tese de que em um país totalmente miscigenado, ainda haja padronizações de corpos.
Em consonância à herança histórico-cultural, nota-se que a mídia demonstra favorecer alguns modelos corporais. Isso porque, a indústria cultural lucra mais com a venda de expectativas do que com o culto ao respeito próprio. Assim, de acordo com estatísticas de psicólogos e psiquiatras da USP, mais de 50% dos jovens apresentam distúrbios alimentares ou não, causados por pressões da sociedade. Todos esses impasses são inadmissíveis neste país tão globalizado e que na tese constitucional, deveria oferecer equidade em todos os sentidos.
Desse modo, nota-se que o corpo perfeito se mantém enraizado pela sociedade e pela mídia. O Governo Federal, portanto, por meio do Ministério da Educação, deve incluir disciplinas sobre saúde alimentar e psicológica nas matrizes curriculares dos ensinos fundamental e médio, a fim de acabar com a naturalização do denominado perfeito. Ademais, ONGs podem atuar por meio de campanhas com psicólogos virtuais que ajudem os jovens a cultuarem a aceitação para com o seu próprio corpo. Assim, as ideias de liberdade, igualdade e fraternidade defendidas por Rosseau, serão de uma vez por todas, respeitadas.