O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 28/04/2018

Perfeição dolorosa

Pode-se afirmar, em razão de que desde o surgimento do padrão de beleza na Grécia Antiga, este ainda se consolida nos dias de hoje. Em vista disso, pode-se ter como exemplo a Marilyn Monroe sendo a representação do paradigma da perfeição ocidental nos anos 1940, que, diferente do atual, exibia seu corpo voluptuoso por meio do cinema. Entretanto na atualidade, se predomina um rígido culto à magreza inalcançável que atua simultaneamente com a ascensão de empreendimentos, sendo necessária a análise a respeito de suas particularidades e efeitos na sociedade contemporânea.                      É evidente que a mídia possui um papel preponderante na difusão e imposição de modelos sublimes de beleza na sociedade vigente através da vulgarização de propagandas das indústrias dietéticas, cosméticas, franquias de academias e clínicas de estética e cirurgias plásticas, tudo facilitado com o auxílio da globalização. Outrossim, o uso abundante de recursos de manipulação de imagem pelos meios de comunicação, como softwares de edição, favorece a projeção de modelos, principalmente femininos, utópicos. No contemporâneo, essa representação feminina convencional está muito presente nas revistas, novelas e comerciais, por exemplo. Ademais, a imprensa, através de artigos e tutoriais, instrui o indivíduo em como ele pode se adequar a específicos moldes.

Sob outra perspectiva, o cidadão, diante desta estipulação, sofre com a cobrança de ser um consumidor desenfreado das companhias beneficiadas com os padrões de beleza, seja fazendo dietas, cirurgias plásticas e exercícios. Além disso, o indivíduo se torna cada vez mais dependente de mecanismos nocivos à sua saúde a fim de cumprir as ordens da ditadura da beleza, visto que é legitimado que mais de dois terços das jovens paulistas são propensas a possuir distúrbios alimentares, tais como anorexia, bulimia e vigorexia. Segundo a Secretaria de Saúde de São Paulo em 2014, a cada dois dias, em média, uma pessoa é internada no SUS (Sistema Único de Saúde) devido a estes transtornos.

Portanto, é fundamental a participação da mídia na desconstrução destes modelos de beleza através de campanhas virtuais, as quais podem ser criadas pela Secretária Especial de Comunicação Social, a ação deve incentivar a representação da diversidade entre os tipos de corpos. Simultaneamente, é crucial a intervenção do Ministério da Saúde, com um programa que visa a realização de debates e palestras sobre o assunto nas escolas públicas e privadas, por profissionais da área de nutrição e psicologia, para assim, orientar os jovens sobre os riscos de certas práticas que visam ao corpo “ideal”. Afinal, é importante que todos consigam entender que a estética não define o caráter pessoal, e assim como dizia Fernando Pessoa “Definir o belo é não o compreender”.