O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 11/05/2018
O conceito de beleza é caracterizado, primordialmente, pela sua subjetividade. Entretanto, são estabelecidos, em diferentes sociedades e culturas, padrões quanto ao que é considerado belo. Dessa forma, surge a problemática da padronização estética no Brasil, que desencadeia o consumo desenfreado e transtornos psicológicos e alimentares.
Indubitavelmente, a imposição de um padrão de beleza resulta no consumismo, esse estimulado pelos meios de comunicação em massa. Por exemplo, a revista Vogue, que iniciou publicação no Brasil na década de 1970, veicula o padrão de beleza em vigor e anuncia produtos que tem como finalidade a obtenção das características padronizadas. Sendo assim, é presente nos veículos da mídia, a associação do belo com sucesso e ascensão social o que ocasiona o desejo de se inserir nos arquétipos de beleza vigentes pelo consumo.
Entretanto, por não conseguir a aparência ideal por meio da compra de produtos anunciados, há o desenvolvimento de transtornos psicológicos e alimentares. Tais transtornos são presentes majoritariamente entre os jovens brasileiros, que se frustam por não atingirem o desejado. Consequentemente, o Brasil é o primeiro país do mundo quanto à realização de cirurgias estéticas, o que demonstra a grande quantidade de brasileiros insatisfeitos com suas aparências.
A imposição de padrões estéticos é, portanto, um gatilho para o consumismo e transtornos psicológicos. Nesse contexto, é necessário um posicionamento dos veículos de comunicação quanto à disseminação de tais arquétipos, e apresentar a inserção e aumento de oportunidades para pessoas fora do padrão estabelecido. E, ainda, a desmitificação da ideia de que há um conceito único para beleza pelos próprios indivíduos. Para que, assim, cada vez mais brasileiros se vejam representados e admitidos como uma das várias formas do que é belo.