O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 24/04/2018

Desde a Antiguidade Clássica, cultiva-se a ideia de que a beleza está associada ás formas corporais, cor da pele e comprimento dos cabelos. Em consonância com essa assertiva, a sociedade comtemporânea passa por um período de supervalorização da estética, fazendo surgir problemas, no âmbito social, no que tange a saúde e bem estar dos indivíduos, principalmente do sexo feminino. Diante disso, observa-se que a questão cultural envolvendo a padronização corpórea, bem como a massificação das mídias digitais, são mecanismos que perpetuam o problema na sociedade.

Sabe-se que beleza é um conceito cultural, o qual está sujeito a sofrer variações ao longo da história. Na época do Renascimento, por exemplo, estar acima do peso era considerado algo positivo, visto que representava ostentação alimentícia numa época em que muitos passavam fome. No Brasil hodierno, nota-se que essa ideia não é mais valorizada, corroborando a percepção de dinamicidade nos padrões estéticos. Contudo, o que continua presente na sociedade é o fato de existirem pessoas tentando se encaixar em tais padrões, seja pela prática de dietas perigosas, ou mesmo pelo uso de anabolizantes e complementos energéticos, os quais podem representar um risco eminente a saúde e integridade física desses indivíduos.

Atrelado a isso, constata-se que a excessiva exposição das massas às redes sociais e demais meios de comunicação, propicia um maior contato do público com ideais de felicidade, respeito e aceitação pessoal, comumentes relacionados a forma e perfil do corpo. Nesse sentido, é evidente o poder de influência que esses mecanismos possuem, transmitindo ao público padrões inalcançáveis de beleza, a fim de impulsionar as vendas do mercado voltado para a estética. De maneira análoga, Mary Douglas afirma: “O que esculpimos na carne humana é uma imagem da sociedade”, fazendo referência aos padrões impostos pelos meios midiáticos. O resultado dessa imposição é refletido mundialmente, uma vez que 63% das mulheres relacionam a beleza ao sucesso e satisfação pessoal.

Diante do exposto, torna-se imprescindível a elaboração de medidas, visando combater a excessiva padronização estética vigente. Para que isso se concretize, o Governo Federal, através das próprias mídias digitais, deve principiar uma campanha de valorização da beleza natural atrelada a saúde, com o uso de imagens e vídeos motivacionais, compartilhado por modelos em suas páginas, objetivando uma conscientização mútua sobre a aceitação corporal. Ademais, cabe à Justiça Federal, através dos meios de coerção estatal, proibir a venda desregrada de anabolizantes e produtos químicos que oferecem risco ao bom funcionamento do corpo. Com a efetividade de tais medidas, poder-se-á desfazer o estigma imposto.