O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/05/2018

Após a Terceira Revolução Industrial, com o efeito da globalização, tornou-se possível, em muitos casos, o fim das barreiras territoriais. De fato, a revolução técnico-científica permitiu a institucionalização das empresas pelo mundo, desta forma, trazem consigo não apenas seu produto, mas o próprio incentivo à eles. No entanto, a massificação  de consumo gerou, infelizmente, o culto à padrões de beleza que não condizem com a realidade e, mesmo assim, tornaram-se passes para aceitação social. Desse modo, quando não alcançados causam problemas psicológicos e sociais.

Em primeiro plano, é importante analisar, antes de tudo, os efeitos da criação de um padrão de beleza. A imposição de padrões e ideais de corpos perfeitos resultam na dissolução, dentro de uma coletividade já estabelecida, da autenticidade de cada pessoa, pois a coerção exterior exige a supressão da própria identidade para a adequação social. Esse fenômeno, segundo Habermas, filósofo da Escola de Frankfurt, é advindo da racionalização instrumental a qual não possui uma ética, além da finalidade útil da técnica  para a obtenção do maior contingente de lucro. Desse modo, problemas relacionados a não aceitação do seu corpo, exclusão social, depressões e, até mesmo, suicídios, não afetam o modo de produção capitalista que necessita do controle social para moldar seu consumo.

Ademais, cabe enfatizar, ainda, as disparidades que os ideais de beleza afetam as diferentes classes sociais e gêneros. É indubitável a violência gerada através da diferença de capitais entre as classes, haja vista o acesso que os grupos dominantes possuem aos produtos e meios para a obtenção do físico ideal imposto, os quais os indivíduos das classes mais baixas se encontram reclusos ao acesso devido ao baixo poder aquisitivo. Além disso, as mulheres sofrem a maior pressão para o amoldamento socialmente esperado de seus corpos. Prova disso, as revistas, filmes, estrelas da música e todos os meios de comunicação se voltam a elas com o intuito de ajustá-las aos moldes comerciais, o que transcorre, dentre muitas mazelas, da sua objetificação.

Fica claro, portanto,  que, para a superação dos problemas em relação a padronização da estética corporal, é preciso a intervenção dos órgãos encarregados de assegurar a saúde social sob as áreas de disseminação em massa. Posto isto, o Governo Federal deve aumentar a regulamentação midiática a fim de se que evite a propagação de protótipos maléficos de beleza, nesse sentido, é necessário que haja apenas comerciais que respeitem e valorizem a pluralidade física de todas as pessoas. Ademais, o Ministério Público pode fomentar palestras com sociólogos e psicólogos nas escolas para conscientizar sobre os impasses advindos da imposição de um modelo estético e garantir a autoaceitação. Talvez assim, mesmo num sistema que visa o lucro, possa ser respeitado a diversidade identitária de cada um.