O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/05/2018

Conforme o dito do filósofo Jean-Jacques Rousseau, o povo, por ele próprio, quer sempre o bem, mas por ele próprio, nem sempre o conhece. Assim, com tal característica, testemunhamos a veneração da padronização corporal no Brasil, em um âmbito no qual a vontade geral para que haja melhorias está sempre clara, mas a moção que a orienta nem sempre é a conveniente. Visto que, a imposição da mídia, juntamente com o preconceito praticado pela sociedade têm cooperado para o aumento desse infortúnio.

No tocante a imposição da mídia, a alienação gerada por esses meios informativos difundem a ideia de uma estética padrão para homens e mulheres. Sendo que, de acordo com a marca Dove, mais de 80% do público feminino se sente prisioneiro desse sistema caótico.  Assim, é notório o aumento de transtornos relacionados ao corpo, como é o caso da anorexia, que se caracteriza por problemas gerados na ingestão de alimentos.

Ademais, o preconceito transmitido pelo corpo social exerce a marginalização sobre os que se sentem inferiores esteticamente. Essa marginalização é relatada desde os tempos de segregação racial nos Estados Unidos, em que homens e mulheres padronizavam os seus cabelos de acordo com os padrões da sociedade caucasiana para que não se sentissem mais inferiorizados. Com isso, ferros quentes e tratamentos químicos eram utilizados para mudar a estrutura dos fios crespos dos negros para que se tornassem lisos, como os dos brancos.

Portanto, diante dos fatos susoditos, é de grande necessidade que os meios de informação, como propagandas, concursos de beleza e programas de entretenimento desenvolvam mais o enaltecimento do padrão social como um todo, englobando desde os moldes superiores até os moldes mais inferiores, conscientizando a todos que não existe somente um estilo belo em nossa comunidade. É também necessário que o Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Educação trabalhem contra o preconceito nos meios sociais, desenvolvendo palestras em escolas e universidades para que homens e mulheres possam ser ajudados no que se refere a autoestima, expondo também as consequências que o preconceito pode causar sobre a vida dos mesmos, para que assim nossa moção em relação ao nosso conhecimento venha ser correta.