O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 03/05/2018
Segundo a Constituição Federativa do Brasil, todo cidadão tem direito à vida digna e de qualidade. Porém, ainda é notório, no Brasil, a busca incessante pela imagem perfeita, afetando a qualidade vital - o que explicita a ausência de políticas públicas pautadas na consciência do cidadão sobre o equilíbrio da busca pela estética perfeita e a formação de uma sociedade plena e conhecedora dos seus direitos e deveres.
É inquestionável que as autoridades brasileiras já proporcionam condições para que o indivíduo viva de maneira aprazível. Pode-se mencionar, como por exemplo, a lei n. 9459/97, cujo objetivo é punir os crimes resultantes de discriminação, preconceito e incitação dessas práticas, buscando atenuar a propagação de um padrão a ser valorizado. Isso demonstra, de certa forma, que o governo já intenta cumprir aquilo que é constitucional.
Contudo, medida pontual como essa ainda é ineficaz para evitar integralmente o culto à padronização corporal, pois, conforme uma pesquisa realizada pela marca de cosméticos Dove, 14% das brasileiras não se sentem seguras para se definirem como belas. Isso se dá pela deficiência da educação e de uma formação cidadã congruente, visto que, o que se observa cotidianamente é a falta de conhecimento sobre o corpo e a aceitação passiva de imposições veiculadas tanto pela mídia como pela própria sociedade. Além disso, o mercado sustenta essas ideologias usufruindo das mesmas e, consequentemente, fazendo-as se tornarem parte da cultura do Brasil, visando a obtenção de lucro. A verdade é que o baixo nível educacional é o motivo pelo qual persiste esse paradigma, e enquanto as escolas não trabalharem na formação plena do cidadão, consciente de seus direitos e deveres, esse problema perdurará.
Depreende-se, pelos fatos expostos, que há necessidade de maiores investimentos educacionais voltados para a cidadania e a conscientização acerca da corpolatria. Portanto, é plausível que haja por meio do Ministério da Educação e Cultura - MEC - a modificação do currículo escolar para contemplar aulas de formação cidadã e linguagem corporal, com o intuito de conscientizar os educandos desde a educação infantil da importância de se viver de forma íntegra com o seu corpo no meio social. Ademais, deverá ocorrer uma parceria com o Ministério da Saúde, unindo escolas e profissionais de saúde ligados à psique para a realização de palestras e campanhas midiáticas pautadas no autoconhecimento. Se assim for feito se obterá uma significativa redução nos índices de brasileiros insatisfeitos consigo quanto à estética, concretizando aquilo que está promulgado na Constituição Federativa do Brasil.