O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 26/05/2018
Narciso, personagem mitológico grego, morrera devido ao exacerbado culto a sua aparência. De fato, em uma sociedade sintética e supérflua, onde valoriza-se, em demasia, a aparência, a história fictícia acaba aproximando-se da realidade que, devido a veneração de esteriótipos- resquícios do renascimento, gera, nos membros da sociedade brasileira, pressão para atingir os padrões por ela impostos.
“A priori”, é válido salientar que o culto à padronização do corpo é ainda resquício do período de hegemonia grega, bem como o renascentista que, mesmo tendo seu berço na Europa, influenciou também o Brasil. Como nas obras de Michelangelo e de Caravaggio, artistas do Renascimento, preservava-se a perfeição no corpo humano e, por ter sido um movimento artístico de muito valor, influenciou todo o mundo e seus ideários permanecem ainda na sociedade atual. Prova disso está nas propagandas televisivas, que prezam a mulher magra e loira, assim como nas bonecas, fazendo com que as crianças, mesmo que indiretamente, cultuem e apreciem apenas esse tipo de beleza.
Ademais, esse estigma social traz consequências que não ficam distantes da realidade de Narciso. Não raro, ao serem bombardeados com a pressão social de ter o corpo perfeito, assim como mostra uma pesquisa da Dove, comprovando que 83% das mulheres se sentem pressionadas socialmente para atingir os padrões corporais. Nesse viés, os indivíduos procuram medidas drásticas para alcança-lo e que atinge sua saúde de maneira nada benéfica, podendo, até mesmo, desenvolver distúrbios alimentares- como anorexia e bulimia, e também a depressão causada pela dificuldade de atingir os padrões sociais.
Destarte, é preciso tomar medidas para a desconstrução desse pensamento medievo. Assim, faz-se necessário que o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) interfira na questão, empregando a obrigatoriedade de propagandear todos os estereótipos, fato que pode ser feito criando uma nova regulamentação que torne isso obrigatório, afim de minimizar o culto apenas a um corpo. Além do mais, as Prefeituras podem oferecer palestras mensais em escolas, com profissionais da saúde, para conscientizar os jovens sobre os perigos da obsessão pelo corpo perfeito, para, assim. poder desconstruir esse pensamento ultrapassado e para que, um dia, a história de Narciso não precise mais ser aplicada na realidade atual.