O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 08/05/2018

Desde o Iluminismo entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto quando se observa o culto à padronização corporal no Brasil, hodiernamente, este ideal iluminista é teórico e não utilizado na prática, por isso a problemática persiste intrinsecamente ligada a realidade do país. Neste sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

É indubitável que a questão histórico-cultural esteja entre as causas do problema. Segundo o poeta Ramón, a beleza esta nos olhos de quem a vê. De maneira análoga, é possível perceber que no Brasil, a idealização de um padrão de beleza, rompe tal pensamento poético, haja visto que os padrões de beleza Europeu, idealizados nas cantigas de amor e trazidos na época da colonização perduram até os dias atuais, com a propagação de tal ideal pela mídia e maioria dos canais de comunicação, logo, a sociedade é influenciada de tal forma que, a beleza já não está mais nos olhos de quem vê, e sim nos de quem influência.

Outrossim, destaca-se a grande mídia e a sociedade como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, de generalidade e de coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, verifica-se que, a grande mídia idealiza há muito tempo um padrão de beleza Europeu, seja na televisão, internet ou revistas, tendo grande influência sobre a sociedade Brasileira. Por conseguinte, observa-se uma sociedade totalmente alienada, que vive em um “culto à padronização corporal”, concordando assim, com parte do pensamento de Durkheim, deixando de lado a exterioridade e generalidade.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Poder legislativo deve elaborar leis que obriguem a mídia a diversificar os padrões de beleza que é imposta a sociedade, a fim de que este se desprenda da alienação, e enxergue a generalidade e coercitividade na beleza, que todo indivíduo possui. Como dizia o pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o culto a padronização corporal no Brasil, de modo que o tecido social se desprenda de certos tabus