O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 23/05/2018

No período da pré-história alguns historiadores relatam que o padrão de beleza seguido era aquele onde corpos carnudos e generosos faziam sucesso já que eram considerados propícios à procriação. Entretanto, ao longo dos séculos os padrões de beleza foram mudando até se alcançar modelos excessivos que podem acarretar serias doenças e em alguns casos levar a óbito. Nesse contexto, então, se faz necessárias melhores discussões para solucionar a problemática, visto que padrões de beleza sempre vão existir cabendo a todos tomar cuidado.

Ao longo dos anos, principalmente, as mulheres se tornaram escravas da indústria de beleza e isso está gerando inúmeros problemas. Estão perdendo o prazer de se alimentar, ficam solitárias, não se aceitam e até perdem a vontade de viver. Dados do site Saúde Plena, por exemplo, mostram que apenas 4% das mulheres, no mundo, se definem como belas. Além disso, das 96% restantes, 77% tem propensão a distúrbios alimentares como, bulimia, anorexia, vigorexia e depressão. No Brasil, segundo o coordenador do Programa de Transtornos Alimentares do Hospital das Clínicas – USP (Ambulim), de 0,5% a 1% das mulheres sofrem de anorexia e de 1% a 2% de bulimia. E a compulsão alimentar atinge mais de 3% da população.

Incisa nessa lógica, as próprias doenças caracterizam padrões distintos. Anorexia, por exemplo, se trata de pessoas que embora magérrimas se veem gordas, já no caso da vigorexia, o indivíduo para se satisfazer deve ter um corpo excessivamente forte e musculoso. Outrossim, atualmente, surgiu uma nova doença alimentar, a ortorexia. Essa existe quando a pessoa tem sérias preocupações em comer sempre de forma saudável, excluindo gorduras trans, processados, alimentos de origem animal e sem agrotóxicos gerando falta de vitaminas, nutrientes e força no corpo. Ou seja, até o saudável demais podem ser ruim.

Portanto, se deve entender que os padrões de beleza não deixarão de existir, eles, apenas, podem mudar de acordo com a época ou lugar. Diante disso, é preciso que se reflita sobre essa padronização e se perceba que ela não precisa ser seguida. Então, o primeiro passo deve ser dado pelo próprio indivíduo, sendo mais flexível consigo e se aceitando. Além disso, as esferas governamentais precisam ministrar, nas escolas, campanhas e debates sobre o assunto, assim como a mídia no âmbito público, que deve assumir sua responsabilidade enquanto formadora de opinião e promover reflexões aprofundadas.