O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 08/05/2018

“Perfeição é a doença de uma nação” é um trecho da música “Pretty Hurts” da cantora norte-americana Beyoncé. Na letra, a artista retrata a toxicidade da relação entre os cuidados com a forma e a busca inalcançável pela perfeição. Embora, esse cuidado com a aparência faça alusão à futilidade. Ele pode, também, ser positivo ao indivíduo, desde que seja abordado de maneira equilibrada.

Primeiramente, a mídia e as redes sociais são catalisadores do culto à forma perfeita, incentivando intervenções cirúrgicas estéticas. Ainda que, esses procedimentos apresentem riscos desnecessários à saúde do paciente, eles estão cada vez mais comuns. O Brasil, por exemplo, é líder em cirurgias plástica entre adolescentes, com 90 mil procedimentos em 2017. Dessa forma, jovens influenciados, pela mídia e redes sociais, colocam em risco suas vidas por uma beleza inviável.

Todavia, os cuidados com a aparência têm seu lado positivo, de tal forma que, melhora a autoestima do indivíduo. De acordo, com os dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 25% das mulheres com câncer de mama possuem depressão. À vista disso, a reconstrução mamária após a retirada da mama, ajuda a lidar com o trauma da doença. Isto posto, importar-se, de maneira equilibrada, com a aparência auxilia no conforto individual.

A preocupação com forma física, portanto, deve ser abordada com sensatez pelo indivíduo, priorizando o bem-estar ao invés da perfeição. Além disso, a mídia deve assumir sua responsabilidade social, parando de reproduzir um padrão estético inatingível. Assim, exaltando os vários tipos de formas, afim de, abraçar afirmar a diversidade e as imperfeições do ser.