O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 16/05/2018
No decorrer da história da humanidade, os padrões de beleza e o culto ao corpo sofreram transformações que foram do princípio da divina proporção, apontado por Pitágoras, na Antiguidade grega, ao peso excessivo adorado no Renascimento. Já no século XXI, o crescimento da mídia fortaleceu a indústria da beleza, a qual produz padrões físicos que facilmente tornam-se obsessão em todo o mundo. Nesse contexto, a busca pelo corpo ideal, motivada por influências midiáticas, resulta em graves distúrbios alimentares e psicológicos, ultrapassando, assim, a linha tênue entre o que é saúde e obsessão pela estética.
Segundo Aristóteles, o homem precisa evitar a falta e o excesso de forma e buscar sempre o equilíbrio de suas ações. Mas, a indústria da beleza, promovida pela mídia, lança modelos inacessíveis pautados na magreza e na delineação dos músculos, sem respeitar os biótipos. Além disso, a comercialização do padrão faz com que aumente a pluralidade de produtos e avanços tecnológicos a fim de aprimorar a estética e a forma física, como pílulas de emagrecimento e cirurgias plásticas, e assim, sempre buscando o corpo perfeito imposto pela sociedade.
O estigma do corpo perfeito é imposto todos os dias pelas mídias e muitas pessoas excedem o limite da razão em busca desse ideal. O problema é que no mundo real é quase impossível de ser atingido de forma saudável, resultando em problemas com a integridade física, como a anorexia, bulimia, deformação estética, seja cirúrgica ou por ingestão de substâncias proibidas, e problemas hormonais. Além disso, podem aparecer problemas psicológicos causados pela exclusão dos não pertencentes aos padrões e pela perda de autoestima, se tornando mais vulneráveias a doenças como a depressão e ansiedade.
O homem deve servir-se do corpo e não servir ao corpo em uma sociedade alienada pela indústria da beleza. Sendo assim, o indivíduo deve respeitar os limites do próprio corpo, buscando orientação adequada de profissionais de saúde para manter um equilíbrio entre a estética e a saúde, e assim, libertando-se dessa visão limitada da beleza imposta. A mídia, por sua vez, deve assumir suas responsabilidades enquanto formadora de opinião e promover uma reflexão aprofundada sobre o assunto em relação à diversidade, considerando os inúmeros biótipos dos seres humanos, e assim, conscientizando sobre os limites dos padrões estéticos e desconstruindo um estereótipo de beleza.