O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 18/05/2018
Com o prelúdio do século XVI, estabeleceu-se na Europa o Renascentismo Artístico, cujas convicções de seus autores, como Leonardo da Vinci, Michelangelo e Donatello, prezavam um portentoso enaltecimento de um corpo humano idealizado, seja por plena proporcionalidade, seja por simetria regularizada. Decorridos 5 séculos, entretanto, percebe-se que tais preceitos não apenas foram mantidos como também regem diversos aspectos do cotidiano do brasileiro, cada vez mais pressionado a aceitá-los, ora fruto de sua formação social, ora fruto do modelo produtivo em que está inserido.
Ao se fazer uma dissecção da sociedade, em primeira análise, observa-se que as mentalidades propagadas por ela nos jovens fazem com que ela atue como uma das principais causas do paradigma vigente. Segundo a teoria sociológica de Émile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de coercitividade, generalidade e externalidade. Seguindo essa linha de pensamento, o culto à padronização corporal se encaixa na teoria do autor, uma vez que, se uma criança nasce em um ambiente no qual esse paradigma é preservado, recebendo-o por meio do convívio social durante sua formação, ela tenderá a repetir esse comportamento, transmitindo-o de geração em geração.
Ainda convém notar, por outro lado, que, segundo o materialismo histórico de Karl Marx, o sistema econômico do corpo social também é responsável pela manutenção desse cenário ao influenciar as mentalidades das populações. Segundo a Historiografia europeia, por exemplo, na Idade Média, indivíduos pálidos e obesos eram vistos como o padrão estético de seu tempo, já que representavam características da aristocracia, a qual permanecia oclusa do Sol em seus castelos e possuía abundância alimentícia, em contraste com os camponeses. Em contrapartida, com o fim do Antigo Regime e a ascensão da indústria, a qual maximizou a oferta alimentícia, o arquétipo atual tornou-se o do magro atlético, uma vez que simboliza a velocidade do mundo contemporâneo.
Sendo assim, medidas são necessárias para que esse contexto seja remediado. Primeiramente, o Governo Federal deve outorgar recursos pecuniários ao Ministério da Educação para que ele possa implementar diretrizes de autoaceitação corpórea nas aulas de Educação Física, de forma que os jovens possam se exercitar de forma autônoma, livre de pressões sociais. Por outro lado, a mídia televisiva deve trazer esse debate à tona por meio de reportagens, entrevistas e debates em seus veículos midiáticos, de forma que a liquidez de princípios estéticos seja evidenciada, consequentemente reduzindo a sua influência sobre as populações. Por fim, o Ministério da Saúde, por meio das redes sociais, deve criar campanhas de conscientização que evidenciem os riscos oriundos de uma exacerbada busca pelo corpo perfeito. Apenas assim, a atividade física poderá ser libertadora.