O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 04/06/2018
Ditadura da beleza no Brasil como um fato social
Preocupação com o ganho de peso, busca constante por tratamentos estéticos e crescimento de indústrias de beleza. Devido ao crescimento da classe média e, junto a ela, o aumento do poder aquisitivo no Brasil, o cuidado com a aparência transfigurou-se em uma necessidade e não mais em um privilégio. Dessa maneira, a mídia – evoluindo junto com essas mudanças – tornou-se a principal responsável por incentivar o consumo, relacionando a felicidade ao corpo perfeito.
De fato, os meios de comunicação são eficientes incentivadores do consumo e poderosos meios de persuasão. Tal característica associada a busca individual pela aceitação dentro de uma sociedade favorece o surgimento de anseios pelo corpo perfeito, moldado conforme as exigências da mídia. Em outras palavras, essa construção corpórea transfigura-se como um fato social, uma vez que está presente nas diferentes regiões do país, externo a vontade do brasileiro e coercitivo. Assim, as instituições sociais as quais o indivíduo frequenta – também influenciadas por tais veículos – supervaloriza a quem corresponde a esse padrão.
Nesse sentido, para corresponder a essas expectativas sociais, o indivíduo vai em busca de meios materiais que satisfaçam a consciência coletiva. Só para exemplificar, no universo feminino, conforme uma pesquisa da Dove, a tendência é que quanto maior o avanço da idade das mulheres brasileiras, maior a pressão submetida para que estejam dentro dos padrões de beleza. Além disso, apesar do grupo feminino preocupar-se mais com a aparência, os homens – nos últimos anos – têm frequentado mais os ambientes de estética, de acordo com a Associação Brasileira de Clínicas e Spas. Dessa forma, é perceptível que tanto homens quanto mulheres, mesmo em escalas diferentes, tentam se adequar ao ideal do belo contemporâneo.
Os veículos de comunicação, portanto, são os principais responsáveis pela venda de uma beleza ideal, associando-a a uma felicidade – muitas vezes inalcançável. Nesse sentido, o CONAR - em parceria com o Ministério da Cultura - deve realizar um trabalho em conjunto, com o objetivo de questionar esse arquétipo. Isso seria possível com a presença de atores fora do ideal esperado pela sociedade em programas de TV e em propagandas publicitárias. Além disso, as próprias escolas – incentivadas pelo Ministério da Educação – poderiam realizar rodas de conversa mensalmente para debater sobre o ideal de beleza atual, de forma que houvesse o compartilhamento de ideias e experiências. Por meio disso, seria possível atenuar esse fato social e, a longo prazo, desconstruir o atual modelo de beleza.