O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 24/05/2018

Desde os primórdios, é possível observar como o culto a aparência está presente na cultura ocidental. Um exemplo disso, são as famosas esculturas gregas que mostravam corpos simétricos e harmônicos como padrão estético. Hordiernamente, percebe-se que tal aspecto continua presente na sociedade contemporânea, tal fator é acentuado por questões midiáticas e sociais, podendo causar diversos percalços aos indivíduos como doenças psicológicas e físicas.

Em primeira análise, destaca-se a indubitável influência da mídia neste culto a aparência no mundo atual. Tal interferência vai desde propagandas publicitárias que estão sempre anunciando produtos estéticos e as novelas e filmes que de certa forma ditam o arquétipo de beleza a ser seguido. Alem disso, a ascensão das redes sociais também pode ser vista como fomentador desse entrave. Visto que, os indivíduos estão sempre sendo bombardeados por fotos e vídeos de pessoas com vidas e aparências supostamente perfeitas, o que acaba gerando baixa autoestima e um espírito competição para parecer mais bonito ou mais interessante, gerando assim, uma espécie de “Guerra de todos contra todos” como disse o filósofo Thomas Hobbes.

Deve-se ressaltar também, os malefícios que essa preocupação hiperbólica com a beleza corporal pode causar. Problemas de saúde como anorexia, depressão, bulimia são exemplos de doenças que estão inerentes a esta busca insana pelo corpo perfeito. Além disso, deve-se enfatizar, que nenhum tipo de padronização estética é benéfica a sociedade, vide a ideologia Nazista, que visava uma “perfeição ariana”, e levou milhões de pessoas que não se encaixavam aos padrões estabelecido a morte. Outrossim, percebe-se este ideal de uniformização faz com que os indivíduos se tornem mais intolerantes com as idiossincrasias de cada pessoa.

Destarte, percebe-se que tal busca pelo corpo “perfeito” é contraproducente a toda sociedade, tornando os indivíduos mais egoístas e supérfluos, como mostra a obra “O retrato de Dorian Grey”. Dessa forma, faz-se necessário que a família, como base no processo de socialização, eduque as crianças e jovens transferindo valores para formar cidadãos conscientes dos malefícios que a busca inconsequente ao corpo ideal pode causar. É impreterível que a escola, venha ratificar tais valores por meio de palestras e aulas abertas a toda a população para acrescentar na formação desses indivíduos. Cabe a mídia, em consonância com a iniciativa privada, a criação de propagandas e anúncios para promover ideias de aceitação as diferenças e valorização dos diferentes tipos de beleza. Por fim, é necessário que o estado, por meio de investimentos pontuais e políticas públicas, venha fornecer  atendimento profissionalizado aos indivíduos que possuem doenças relacionadas a esse percalço.