O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 28/05/2018
Durante a Pré-História, a idealização do corpo da mulher era retratada na escultura “Vênus de Willendorf”, com aspectos avantajados—seios e barriga—, representando a fertilidade. No Brasil hodierno, porém, aquela idealização é sinônimo de fracasso para grande parte das pessoas, o que pode causar danos para a saúde e o psicológico da população. Nessa conjectura, mudanças no contexto cultural e educacional são necessárias com urgência.
Embora muitas pessoas se aceitem do jeito que são, nota-se que, ainda existe uma cultura à padronização do corpo. Isso porque, o âmbito midiático impõe um padrão de beleza quase impossível de ser alcançado, o que torna isso um verdadeiro massacre humano, já que muitos —principalmente mulheres e adolescentes— se sacrificam para alcançar uma aparência perfeita e serem aceitos na sociedade, chegando a passar por transtornos alimentares sérios. No filme “O Mínimo para Viver”, a personagem Ellen desenvolve anorexia por estar obcecada para emagrecer, chegando a calcular as calorias de cada alimento e tirar as medidas do corpo constantemente. Logo, ter somente o corpo esbelto apresentado pela mídia é ampliar a distância entre a realidade e a aceitação.
Outrossim, deve-se perceber a necessidade de mudanças no contexto educacional quanto a padronização do corpo. Isso porque, grande parte das instituições de ensino negligenciam a abordagem desse tema, o que torna muitos estudantes propícios a praticar bullying pela aparência física dos colegas. Corrobora com esse fato os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar—PeNSE—, os quais mostram que mais de 50% dos jovens “muito gordos” ou “muito magros” sofrem bullying nas escolas. Além disso, muitos pais contribuem para os danos psicológicos dos filhos, a exemplo de mães que fazem alisamento no cabelo cacheado das filhas ainda quando crianças, fazendo-as achar que seus cabelos naturais são feios. Logo, é preciso haver modificações nos meios pedagógicos sociais.
Infere-se, portanto, que o culto à padronização corporal no Brasil implica prejuízos no bem-estar em geral e que uma solução viável seja apresentada. Para tanto, compete à escola, à mídia e à família, inserir, por meio de uma ação conjunta desses agentes, regras relacionadas ao respeito com os colegas, punindo os que fizerem o contrário; campanhas publicitárias com a promoção da diversidade de belezas e diálogo com os filhos incentivando-os a aceitação pessoal, objetivando a heterogeneidade estética no país. Dessa forma, é possível desconstruir os padrões impostos pela sociedade e diminuir os danos causados por eles.