O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 28/05/2018

A busca pelo considerado perfeito sempre esteve presente na sociedade. Seja na arte, na arquitetura, na música, e também em relação aos seres humanos. A obsessão por ter um corpo idealizado como perfeito, é, muitas vezes, camuflada com o discurso de busca por uma vida saudável; mas, ao contrário disso, tal fato pode gerar consequências sérias à saúde. Por se tratar de uma questão de saúde pública, o tema precisa ser abordado e combatido veementemente.

O escritor francês Robert Brassilach afirmou que “cada idade tem sua beleza e essa beleza deve sempre ser uma liberdade”. Ao tomar essa máxima, percebe-se que o culto ao corpo não se preocupa com o belo; uma vez que aprisiona o individuo em uma falsa concepção de si mesmo. Um exemplo claro disso são os distúrbios alimentares, como a anorexia e a bulimia, desenvolvidos por aqueles que procuram manter-se no padrão estético desenvolvido pela sociedade. Nesses casos, o individuo se enxerga com o peso sempre acima do real e, por isso, se priva de comer ou elimina de forma forçada a comida ingerida procurando não engordar.

Outro fator de risco nessa busca compulsiva de encontrar-se no padrão são as cirurgias. Nunca satisfeitos com o próprio corpo, quem se encontra nessa amarra social, muitas vezes apela para um resultado mais rápido garantido pelas cirurgias plásticas. Contudo, como qualquer outro procedimento cirúrgico, os denominados corretivos, também oferecem risco a vida do paciente; quanto mais operações realizadas, maior o risco. Assim, muitos morrem por exagerar em quantidades de procedimentos realizados em busca da perfeição.

Solucionar, ou amenizar tal quadro depende, sobretudo, da mídia e da iniciativa privada. Pois, por exercerem muita influência na população, devem usar da mesma para disseminar, através de campanhas publicitárias informativas, a concepção de que cada ser é único e a padronização estética não está associada à uma vida saudável; por isso, não deve se tornar uma obsessão.