O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 02/06/2018

Em direção à liberdade

Ao analisarmos o histórico dos homens na Terra, podemos perceber que cada período luta para combater variadas mazelas sociais, próprias de cada época e contexto. Na atualidade podemos elencar uma série de problemáticas, dentre as quais tem destaque a falta de auto aceitação dos jovens diante dos ideais de beleza disseminados pelos meios de comunicação.

De acordo com Jean-Paul Sartre, criamos nossa essência a partir de nossas relações sociais e das condições em que nos desenvolvemos, sendo o homem, assim, para ele, produto do meio. Com isso, torna-se compreensível a inclinação que as pessoas têm de procurar por padrões que as guiem. Antigamente, eram a família, a religião e a tradição que conduziam os jovens em sua formação de costumes, gostos e atitudes; com o advento da globalização e a crescente evolução das tecnologias, entretanto, fica evidente que a mídia tem passado a assumir, na contemporaneidade, papel de principal fonte de influência aos brasileiros. Isso mostra-se nocivo na medida em que o conteúdo não possui filtro apropriado e são estipulados padrões corporais surreais,  com os quais crianças e adolescentes vulneráveis abalam-se, desesperados para satisfazer os ideais de perfeição propagados, podendo, com isso,  desenvolver distúrbios alimentares, ansiedade, depressão,  e até mesmo tendências suicidas.

As peças publicitárias transmitem a ideia de que para alcançar-se o bem estar e a completude há necessidade de que se assuma o estilo de vida  por elas proposto. Busca-se, com isso, não a felicidade sugerida por Aristóteles, que baseava-se na procura pelo bem maior, mas uma corrida atrás de metas irreais e sonhos supérfluos. Ainda que se alcancem quaisquer dos objetivos estabelecidos, porém, isso não se entende como um motivo de prazer, pois ocorre a criação imediata de novos desejos e expectativas, maiores e mais inatingíveis, caracterizando um ciclo contínuo, improdutivo e destrutivo. As pessoas veem-se insaciáveis.

Para que a obsessão pelo padrão de beleza possa ser combatida, algumas medidas são necessárias. Torna-se vital que o governo estipule regulamento para programação midiática de forma a incluir mais conteúdo educativo que elucide a importância da valorização da diversidade, mostrando aos indivíduos que perfeição é um conceito que pode ser criado e destruído. Além disso, faz-se importante uma reavaliação do ensino público e privado, cabendo ao MEC inserir nos currículos propostas que incentivem a criação de senso crítico nas crianças, para que elas possam avaliar informações e discernir quais convergem com suas concepções de vida e quais não são positivas. Afinal, como pode-se interpretar das obras do grande pensador cartesiano, a razão leva ao livre arbítrio.