O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 30/05/2026
Na música “Pretty isn´t pretty” - ou, em português, “bonita não é o bastante” - a cantora Olivia Rodrigo demonstra frustração com sua aparência pois, apesar dos esforços para atingir o padrão estético, nada parece torná-la bonita o suficiente. Dessa forma, o cenário de Olivia não se torna exclusivo, refletindo uma problemá-
tica emergente da crescente pressão estética e causadora de diversos danos a saú-
de: A veneração excessiva da padronização corporal no Brasil.
Nesse ínterim, segundo pesquisa feita pela Uol, o uso de canetas emagrecedoras no Brasil cresceu 88% em 2025, sendo os usuários majoritariamente mulheres. As-
sim pode-se analisar a pressão estética acerca do corpo feminino que, indo além da saúde, demonstra o machismo estrutural da sociedade ao impor padrões inal-
cançáveis para suprir o desejo e o controle masculino. Já as vítimas, recorrem a métodos não saudáveis para obter resultados rápidos, podendo causar danos co-
mo dismorfia corporal, transtornos alimentares e de imagem. Logo, os padrões de beleza impostos podem ser danosos a saúde dos pressionados.
Continuamente, a valorização insistente a uma estética distorce o conceitos de “saudável” principalmente para jovens em formação. Conforme a revista IFMSA Brasil, os transtornos alimentares (TA) afetam cerca de 15 milhões de brasileiros, com pico de incidência entre crianças e adolescentes. Nesse viés, a disseminação de tendências como a magreza extrema influencia a percepção corporal de menores, na maioria das vezes saudáveis, que começam a adquirir inseguranças com seus próprios corpos uma vez que são diferentes dos moldes apoiados pela mídia, sendo induzidos a atingir um padrão muitas vezes inalcançável em nome da “saúde”. Assim, enquanto a padronização dos corpos brasileiros for uma norma, a normalização de transtornos alimentares será uma consequência.
Contudo, cabe ao Estado - Especificamente o Ministério da Saúde -, por meio de políticas públicas e campanhas publicitárias, a conscientização de crianças e jovens sobre alimentação saudável e diversidade corporal, além do fornecimento de acompanhamento psicológico acessível a vítimas do transtorno alimentar. Somente desta maneira, os danos do culto à padronização corporal no Brasil serão amenizados.