O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 31/05/2026

Na obra “Admirável mundo novo”, Aldous Huxley retrata uma sociedade marcada pela padronização dos indivíduos, o que evidencia como a imposição de modelos pode limitar a individualidade . Sob essa lógica, o culto à padronização corporal no Brasil revela-se prejudicial ao desenvolvimento de uma sociedade que respeite a pluralidade. Desse modo, é necessário combater os agravantes dessa problemática: influência da mídia e exclusão social.

Em primeiro plano, é notório que as redes sociais criam padrões inalcançáveis. Assim sendo, o documentário “O dilema das redes” expõe que as plataformas digitais utilizam algoritmos para manter usuários conectados, divulgando constantemente corpos idealizados - o que corrobora para a naturalização de padrões estéticos restritivos-. Dessa forma, tal cenário pode levar indivíduos a desenvolverem uma percepção distorcida do próprio corpo intensificando a insatisfação com a própria aparência e como consequência, indivíduos passam a adotar comportamentos prejudiciais à saúde, como dietas restritivas. Logo, é inadmissível que a adequação a padrões corporais seja priorizada em vez da saúde.

Outrossim, a supervalorização de modelos estéticos dominantes favorece a marginalização de indivíduos cujas características divergem do ideal. Nessa perspectiva, o sociólogo Erving Goffman explica, por meio do conceito estigma social, que características vistas como diferentes do padrão dominante podem resultar na desvalorização de determinados indivíduos. Nesse cenário, indivíduos que fogem desses padrões dominantes podem enfrentar preconceitos em ambientes escolares, profissionais e interpessoais, tendo sua imagem associada a estereótipos negativos.

Em suma, o Ministério da Educação deve promover, por meio da implementação de campanhas e palestras nas escolas, ministradas por psicólogos e especialistas em saúde, a conscientização acerca dos impactos da padronização corporal, a fim de estimular a valorização da diversidade física e reduzir a exclusão social associada à aparência. Assim, será possível romper com a imposição de padrões que, à semelhança da obra Admirável mundo novo, limitam a expressão da individualidades.