O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 05/06/2018
O estigma do corpo perfeito é imposto todos os dias. Seja em capas de revista, programas de televisão ou em tutoriais na internet, homens e mulheres com corpos torneados estampam o ideal da perfeição. Contudo, no mundo real, esse padrão é quase impossível de ser atingido. Dessa forma, a obsessão e o culto ao corpo ideal geram problemas sociais como o consumo excessivo de produtos estéticos e os transtornos alimentares. Fatores de ordem educacional, bem como cultural, expressam a urgência de mudanças nesse cenário.
Sendo assim, é preciso pontuar, de início, que, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade atual vive uma fase de satisfação transitória, visto que o indivíduo nunca consegue se satisfazer. Aproveitando-se disso, a indústria da beleza, apoiada pela mídia, impõe, a todo momento, a obtenção e busca pelo corpo perfeito utilizando métodos modernos e “revolucionários”. Contudo, na realidade, o que se tem é o sacrifício da saúde por um pseudo e efêmero estado de felicidade e realização. Similarmente, segundo uma pesquisa da Organização das Nações Unidas (ONU), a população do Brasil é a maior consumidora de “drogas estéticas” como anabolizantes e remédios de emagrecimento.
Outrossim, uma grave consequência dessa radicalização supracitada é o transtorno alimentar. A alimentação deixa de ser algo essencial e prazeroso, tornando-se apenas, minimamente, necessária. As dietas restritivas, ditas como “milagrosas”, geram uma grande deficiência nutricional, principalmente nos adolescentes em fase de desenvolvimento. É notório que estes jovens estão mais sujeitos à influência midiática, que cultua a magreza acentuada para meninas e um corpo forte e musculoso para os meninos. Em casos extremos, indivíduos podem apresentar duas doenças gravíssimas: o botulismo e a anorexia.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar este grave problema social no Brasil. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) deverá incentivar a pluralidade estética e regular propagandas, em todos os níveis de divulgação de informações, que promovam a diversidade de aparências . O Ministério da Educação, aliado as escolas da rede pública e privada, deverá realizar palestras educativas que abordem o tema, demonstrando que a saúde está acima de qualquer esteriótipo de beleza. Ademais, a criação de uma disciplina específica sobre o tema no ensino elementar é de vital importância para a educação e conscientização das crianças em formação. Posto isso, será possível mitigar a busca desmedida e exacerbada pela falsa perfeição corporal.