O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 14/06/2018

Desde a Idade Média, o gênero feminino é incentivado a assumir uma postura mais delicada e recatada, tendo como brinquedos figuras que atuam como sua prole, já com o intuito da preparação para a reprodução. Infelizmente, o que se tem na Idade Contemporânea é o espelhamento nesses mesmos brinquedos, os quais passaram a ter forma cada vez mais distorcida pelos padrões de beleza da sociedade. Assim como a vaidade, o culto pelo corpo ideal vem se tornando mais intenso, o que prejudica a saúde física e psicológica das mulheres.

É evidente que a busca pelos ideais de beleza tem como objetivo, além da obtenção de aprovação social, a atratividade. Devido a um passado histórico machista, as meninas são criadas com a pressão pelo matrimônio: a beleza seria então uma ferramenta para atrair a atenção masculina. Isso pode ser observado em histórias clássicas de contos de fadas, em que a mais bela espera o príncipe encantado, tido como objetivo de vida.

Do mesmo modo, uma pesquisa realizada pela revista Época mostrou que a anorexia, distúrbio psicológico que leva a acreditar que se está sempre muito além do peso, tem se tornado mais comum entre jovens de doze a vinte anos. As garotas, novamente, são as que mais sofrem com a idealização corporal, ainda mais na juventude.

Apesar da corrente feminista ter ampliado o papel da mulher na sociedade, possibilitando-a ir muito além do lar, está enraizada no senso comum a ideia de destino feminino à popularidade. A revista Capricho, por exemplo, é veiculada a garotas e afirma que, com a maquiagem e a roupa certa para corrigir o corpo, e talvez só assim, podem ter sucesso.

Para que o silicone, dietas milagrosas e transtornos psicológicos deixem de ser comuns, o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária deve limitar a veiculação de propagandas idealizadoras, exigindo variação nos modelos, afim de cessar a exaltação dos padrões. Dessa maneira, as caucasianas franzinas e ícones sexuais não mais serão a inspiração feminina, assim como as bonecas voltarão a ser apenas brinquedos.