O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 13/10/2026

Na obra “A Sociedade do Espetáculo”, de Guy Debord, é retratada uma população cujas relações interpessoais passaram a ser mediatizadas por imagens. De forma análoga à realidade, na atual condição do Brasil, evidencia-se uma massa influenciada por padrões estéticos, idealizando um “corpo perfeito” de maneira patológica. Tendo em vista seu cerne nas mídias digitais, as quais estimulam a alienação das pessoas, a falta de medidas preventivas constitui um descaso estatal.

Sob esse viés, a indústria midiática é o principal agente persuasivo em relação à padronização corporal. Acerca disso, o filme “A Substância” mostra como a aparência digital ganha ascensão no mundo das redes, descartando quem está fora dos modelos. Tal premissa se encaixa no cenário brasileiro, no qual grandes empresas, através de influenciadores digitais, remoldam constantemente a moda atual, cultivando um ciclo patológico em todo o ambiente e prejudicando o usuário/seguidor que se menospreza quando não se encaixa no novo parâmetro exigido. Deste modo, é imprescindível uma regulamentação para mitigar a problemática.

Ademais, a carência de suporte governamental contribui para a persistência desse impasse. Sob tal cenário, em consonância com o sociólogo Émile Durkheim, “o Estado tem o dever de atuar como órgão regulador e gerenciar o bem-estar coletivo, combatendo a anomia”. Contudo, a falta de políticas públicas no Brasil a fim de erradicar os preconceitos no que diz respeito à aparência contraria a visão do cientista social e fomenta a propagação do aspecto visual “ideal”, o qual torna o ambiente nacional tóxico a quem se diverge desse paradigma. Sendo assim, é de extrema importância a implementação de programas sociais para lutar contra a adversidade.