O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 25/06/2018
A padronização corporal, no Brasil, transfigura-se em um fato social à medida que o brasileiro, independentemente de sua região ou classe social, sente-se pressionado e coagido a segui-la. Nesse contexto, os meios de comunicação são os principais responsáveis por enfatizar esse fenômeno social, de forma que haja a associação entre o modelo de beleza ideal e o crescimento da indústria de cosméticos.
Nesse sentido, os veículos de comunicação são instituições persuasivas – o que favorece o surgimento de fatos sociais. Essa característica, no contexto da comercialização da beleza, facilita a associação da felicidade a beleza ideal. As novelas brasileiras, por exemplo, contribuem para a perpetuação desse imaginário, uma vez que as personagens – principalmente as protagonistas – são apresentadas conforme o padrão de beleza atual: corpos bem definidos – geralmente magros - e faces agradáveis – sem nenhuma imperfeição, como espinhas ou rugas. Além disso, a publicidade – de forma mais direta – além da utilização das mesmas ferramentas que as novelas, ainda colabora para a concepção de que o produto de beleza à venda está incorporado ao bem-estar individual.
Com efeito, é possível observar o crescimento de empresas e indústrias associadas à comercialização e à produção de cosméticos e seus derivados. Segundo a Abihpec (Associação Brasileira de Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), após o ano de 2015, o consumo de produtos de beleza dobrou, de tal sorte que manteve um mercado consumidor interno bilionário no país. Paralelo a esse fato, de acordo com a reportagem da revista Exame, o Brasil ocupa a terceira colocação de maior consumidor de produtos de beleza do mundo – atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão. Em síntese, graças a esse mercado consumidor, o PIB (Produto Interno Bruto) cresce e o país torna-se ainda mais competitivo.
Portanto, o crescimento de empreendimentos e a criação de um imaginário relacionados à beleza decorrem graças à atuação da mídia brasileira. Nesse sentido, apesar de ser um fato positivo para a economia do país, é preciso que o governo esteja atento a forma como o corpo é abordado por essa instituição. Para isso, o Ministério da Fazenda – junto ao da Saúde - devem trabalhar juntos, de forma que seja orientado às principais empresas de comunicação a necessidade de apresentar aos telespectadores os diferentes tipos de beleza. Com isso, criar-se-ia a verossimilhança com a realidade do indivíduo e, a longo prazo, a atenuação do que Émile Durkheim denominou como fato social.