O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 11/11/2018
Atualmente, a busca por padrões de beleza idealizados está por todos os lugares. Impostos pela sociedade e disseminados pelas mídias e redes sociais, tais padrões visam enaltecer um modo desejável de ser, vestir, pensar e até de se comportar. Os programas de televisão e os canais de vídeo na internet estão repletos de modelos prontos de pessoas maravilhosas a quem todos devem copiar. Os males psicológicos provocados naqueles que não se enquadram nesses padrões são desafiadores e prejudicam as relações sociais.
Tal busca pela perfeição não é um problema apenas dos jovens. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), intervenções cirúrgicas com fins estéticos cresceram 23% nos últimos quatro anos. Apenas a aplicação de botox subiu 390% em dois anos. A insatisfação com a própria aparência pode levar à depressão e outros transtornos psicológicos. A anorexia, a bulimia e agora a vigorexia, que é causada pela frustração com os resultados da atividade muscular, estão entre os transtornos de destaque.
Esse contexto apresentado pelos números acima é desafiador para a sociedade, pois respostas prontas não são suficientes em meio ao mar de informações e comunicação em tempo real. A percepção do corpo, aparência e da própria identidade é muito subjetiva. Nas escolas, os professores de todo país necessitam de qualificação complementar para lidar com os novos desafios advindos das redes sociais e das formas de interação dos alunos, que reforçam estereótipos e até mesmo iniciam processos de “bullying” contra aqueles incapazes ou que não desejam aderir a esses padrões.
Logo entende-se que criar regras e impor cotas de diversidade na televisão e na internet, além de complexo, pode ser considerado censura aos veículos de comunicação. Como intervenção, a cargo das secretarias estaduais e municipais de saúde e educação, propõe-se treinar o corpo de professores nas escolas para que estes já estejam preparados para identificar as situações mais comuns de bullying, bem como expandir o serviço de apoio psicológico público e gratuito nos postos de saúde. Tais profissionais atuarão ativamente no planejamento das atividades escolares e no atendimento à comunidade, identificando eventuais vítimas. Desta forma, pessoas de todas as idades poderão contar com profissionais qualificados capazes de auxiliar nos conflitos de identidade e metodologias adequadas para a construção ou resgate da autoestima e autoconfiança. Por fim, será disseminado por toda a sociedade a consciência de que a beleza é particular, diversa e subjetiva.