O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 03/07/2018
A origem do culto a forma física perfeita remete à Grécia Antiga, na qual o indivíduo buscava o equilíbrio entre o estado físico e o intelectual sob o ideal de “mente sã, corpo sadio”. No entanto, hodiernamente, a busca por padrões de beleza idealizados, haja vista a aceitação social, bem como a imposição midiática, vão de encontro ao contexto harmonioso da antiguidade clássica, o que pode trazer consequências nocivas ao indivíduo. Nesse viés, convém analisar as vertentes que englobam tal problemática.
Em primeiro plano, discutir sobre beleza é ponderar sobre aspectos extremamente culturais e que mudam ao longo do tempo. Isso porque, no período Renascentista do século XVI, o ideal de beleza era evidenciado em corpos acima do peso, os quais estavam relacionados à riqueza e fartura, muito divulgados em obras de arte da época. Nesse sentido, contemporaneamente, observa-se esse padrão em corpos magros e musculosos de modelos, sendo a cultura do “Fitness” cada vez mais divulgada na sociedade. De fato, o indivíduo na tentativa de alcançar esses padrões ideais e ser aceito socialmente acaba, por vezes, buscando alternativas mais rápidas e geralmente nocivas, a exemplo, fazendo o uso de anabolizantes e dietas drásticas, prejudicando, assim, sua saúde.
Outrossim, vale ressaltar também que o apelo midiático influencia diretamente na construção de esteriótipos que, consequentemente, causam danos aos indivíduos. Sob esse aspecto, quando o sociólogo Zygmunt Bauman afirmava que, “nunca é alto o preço a pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo”, parece prever a realidade como a de uma sociedade em que órgãos de comunicação tendem a persuadir constantemente, não ignorando a capacidade de naturalização da população. Dessa maneira, buscando enaltecer sua própria imagem, os indivíduos buscam insaciavelmente modelar o corpo e satisfazer os anseios da sociedade, o que pode acarretar complicações severas, com distúrbios alimentares, a exemplo, bulimia e anorexia.
À vista de tais preceitos, as consequências da busca por padrões idealizados revelam-se como uma chaga social que demanda mais atenção. Para que se amenize esse cenário problemático, portanto, cabe ao Ministério da Educação implementar na base curricular do Ensino Médio, por meio de debates e diálogos na matéria de biologia, as consequências maléficas que podem ocorrer em decorrência da modificação não natural do corpo, a fim de na fase mais “turbulenta” da adolescência, os alunos tenham uma visão crítica acerca do assunto. É indispensável, ainda, a atuação do Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária na fiscalização de empresas que divulgam de maneira massiva padrões de beleza, juntamente com o incentivo das que enaltecem a diversidade.