O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 23/07/2018

As definições corporais sempre fizeram parte da história da humanidade, como no Egito antigo onde o bonito era ter a cabeça raspada e usar perucas. Entretanto, ao passar dos anos e com o advento da revolução industrial, onde é mais lucrativo para os empresários que todos usem as mesmas coisas, o desejo por estar no “padrão” cresceu. Nesse contexto, deve-se discutir os possíveis problemas que a obsessão por um corpo perfeito traz.

Pode-se mencionar, por exemplo que o Brasil é segundo país onde mais realizam-se cirurgias plásticas no mundo, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (Isaps). Isso decorre do desejo, principalmente, feminino de estar com o corpo modelo violão que é tão conhecido internacionalmente, e explorado constantemente pela mídia. No entanto, a consequência que disso é muitas vezes fatal, como no caso da bancária que morreu no Rio de Janeiro, ao tentar fazer uma intervenção cirúrgica com um profissional desqualificado e fora do ambiente hospitalar.

Outrossim, pode-se destacar também o aumento dos distúrbios alimentares das jovens brasileiras; de acordo com o estudo feito pelo hospital da clínicas de São Paulo, mais de 70% dos jovens brasileiros têm propensão a ter esse tipo de problema. Isso ocorre porque desde a infância as crianças sofrem com a excessiva publicidade através dos filmes e desenhos, que objetificam as meninas como princesas, que são sempre retratadas em personagens loiras e extremamente magras. Por resultado disso, as meninas crescem com a certeza de que precisam ter aquele corpo para serem aceitas socialmente, sacrificando, muitas vezes, a própria saúde.

Torna-se evidente, portanto que a padronização corporal precisa ser extinta. Em razão disso, o Ministério da Saúde deve aumentar a fiscalização, para que as cirurgias sejam feitas por profissionais qualificados e em hospitais; por outro lado, os pacientes devem passar por uma avaliação psiquiátrica  antes de qualquer procedimento, a fim de diminuir as chances de mortes, e identificar possíveis distúrbios dismórficos. Ademais, é necessário que o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) barre qualquer tipo de propaganda que possuam um conteúdo apelativo para o corpo perfeito. Isso deve ser feito em consonância com as empresas televisas, que devem construir as personagens com base na diversidade brasileira, no intuito de quebrar esse sentimento de não aceitação e do ideal de corpo perfeito. Dessa forma, o Brasil poderá diminuir o culto à padronização corporal, e ter cidadãos tolerantes e felizes com seus corpos.