O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 02/08/2018
A objetividade da beleza
De acordo com o filósofo Friedrich Hegel, a beleza é um valor objetivo, definida com base em padrões, que condicionam a percepção de uma sociedade sobre o que é o belo. Esses padrões são construídos desde a infância, e podem levar à exclusão social daqueles que não se encaixam no ideal estético e, mais adiante, ao desenvolvimento de distúrbios alimentares e psicológicos.
Aristóteles considera o homem um ser social, e, como tal, sujeito a influências da sociedade na qual vive. Nessa perspectiva, não é surpresa que, em uma comunidade em que são cultuadas certas características físicas, sejam produzidos indivíduos que idealizem esse ideal estético como a única forma possível de beleza.
Com isso, cria-se uma pressão social: é preciso alcançar a perfeição corporal, e, para chegar a esse objetivo, muitas pessoas acabam por desenvolver distúrbios alimentares, como a bulimia ou a anorexia. Não obstante, o culto à padronização corporal tem como outra consequência a exclusão social de indivíduos que fogem ao padrão estabelecido, o que eleva a possibilidade, nessa parcela da população, do desenvolvimento de distúrbios psicológicos, com destaque para a depressão e a ansiedade, que vêm se tornando cada vez mais comuns.
Como solução para os problemas citados, isso é, a construção de padrões tidos como ideais e a consequente pressão exercida pelo sociedade para alcança-lo; cabe ao Ministério da Educação a criação de projetos que levem palestras às escolas, com o objetivo de conscientizar pais e alunos sobre a necessidade de respeito e apreciação dos diferentes tipos corporais. Aliada a isso, é necessária a criação de campanhas governamentais que incentivem uma maior pluralidade estética nas grandes mídias, para aumentar o nível de representatividade no meio cultural. Desse modo, poderemos transitar para o mundo kantiano, onde a beleza é apenas um valor subjetivo pelo qual enxergamos o mundo.